Os preços do milho no Brasil devem permanecer sob pressão até o final de 2026, com as exportações abaixo do esperado e maior disponibilidade do cereal no mercado doméstico. A avaliação é de Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, apresentada durante painel da 12ª Safras Agri Week.
Embora o consumo interno continue sustentado pela produção de etanol de milho e pelos setores de carnes, o ritmo dos embarques dificulta o escoamento do excedente. Nesse cenário, a consultoria reduziu sua projeção de exportações e ampliou a estimativa de estoque de passagem.
Milho nos portos recua com Chicago e valorização do real
Segundo Molinari, a queda das cotações na Bolsa de Chicago, combinada à valorização do real, reduziu os preços de exportação do milho brasileiro.
As referências nos portos passaram de R$ 72 a R$ 73 por saca para R$ 65 a R$ 66, enfraquecendo o suporte das vendas externas às cotações no mercado interno.
O movimento ocorre justamente durante a principal janela de exportação do Brasil, tradicionalmente concentrada entre agosto e outubro. Para o analista, o país está deixando de aproveitar esse período para reduzir a oferta disponível.
Exportações abaixo do esperado elevam projeção de estoques
Em setembro, os embarques brasileiros de milho somaram 5,4 milhões de toneladas, frente às 7,6 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês de 2025.
Com o desempenho mais fraco, a Safras & Mercado revisou a previsão de exportações da temporada de 40 milhões para 37,7 milhões de toneladas. Paralelamente, a estimativa de estoque de passagem aumentou de 10,2 milhões para 11,6 milhões de toneladas.
A maior quantidade de milho remanescente pode intensificar a pressão de venda em algumas regiões, sobretudo na virada do ano. Nesse período, a chegada da nova safra de verão exigirá espaço nos armazéns e poderá estimular a comercialização dos estoques.
Etanol de milho e carnes sustentam demanda doméstica
O consumo brasileiro segue aquecido, impulsionado pela indústria de etanol de milho e pela demanda dos setores de carnes. Esse desempenho, contudo, não elimina a necessidade de exportar parte da produção.
Na avaliação de Molinari, apesar de sua importância crescente, a indústria de etanol não consegue absorver sozinha o excedente disponível. Assim, o ritmo das vendas externas permanece decisivo para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a formação dos preços do milho.
Clima da safrinha pode mudar o cenário em 2027
Uma eventual recuperação das cotações no início de 2027 dependerá, principalmente, das condições climáticas durante o plantio e o desenvolvimento da segunda safra.
Molinari destaca que a irregularidade das chuvas entre janeiro e março poderá comprometer o potencial produtivo da safrinha. Caso esse risco se concretize, a expectativa de menor oferta poderá dar sustentação aos preços.
Por enquanto, essa possibilidade representa um fator de atenção para o próximo ciclo, sem alterar a perspectiva de pressão sobre o mercado até o encerramento de 2026.
Concorrência argentina limita oportunidades no mercado externo
No cenário internacional, a quebra da safra europeia pode ampliar a necessidade de importação. Entretanto, a Argentina vem aumentando suas exportações e disputando espaço entre os compradores.
Nos Estados Unidos, o avanço da colheita também influencia o mercado, enquanto permanecem incertezas sobre possíveis ajustes de produtividade.
Para Molinari, há poucos fatores capazes de impulsionar o milho brasileiro no curto prazo. Uma reação mais consistente dependerá de mudanças relevantes no câmbio, da valorização das cotações internacionais ou de problemas climáticos que reduzam o potencial da próxima safrinha.
Fonte: Portal do Agronegócio