O mercado do feijão carioca encerrou a primeira semana de fevereiro em seu ponto mais crítico de valorização, após superar de forma definitiva a barreira dos R$ 300 por saca CIF São Paulo. Segundo o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o avanço não foi impulsionado por aumento de demanda, mas pela escassez de produto disponível, especialmente nas categorias de melhor qualidade.
Alta rápida e mercado em posição defensiva
A valorização ocorreu de maneira rápida e vertical, levando o setor a adotar um comportamento defensivo, com negociações concentradas em vendas casadas e contratos futuros. Essa dinâmica reduziu drasticamente a oferta imediata, praticamente esvaziando o mercado físico.
“A qualidade passou a ser o principal fator de formação de preço, em um ambiente onde o feijão disponível praticamente desapareceu”, explica Oliveira.
Chuvas em Minas Gerais elevam índice de defeitos
As chuvas recentes em Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras, afetaram a qualidade do feijão, aumentando o índice de defeitos e tornando raros os lotes limpos com escurecimento lento. Essa condição elevou os prêmios pagos pelos grãos de melhor classificação.
Atualmente, os preços estão organizados em uma nova faixa:
Demanda recua e mercado sinaliza esgotamento técnico
Mesmo com a firmeza nas origens, o mercado começa a entrar em fase de acomodação. O consumo doméstico mostra resistência aos preços elevados, e o varejo tem dificuldade de repassar as altas ao consumidor final.
Segundo Oliveira, o risco no momento não é de uma correção imediata, mas de um esgotamento técnico, caso o consumo não acompanhe o novo patamar de preços.
“Apesar disso, a perspectiva de redução da área plantada na segunda safra 2025/26 mantém o viés estruturalmente firme”, ressalta o analista.
Feijão preto mantém preços firmes com oferta controlada
Enquanto o feijão carioca lidera a escalada de preços, o mercado do feijão preto apresenta um comportamento distinto, operando em estabilidade técnica — com valores altos, mas sem forte pressão compradora.
A retenção da oferta pelos produtores, principalmente no Paraná, sustenta os preços, já que a redução de área limita a disponibilidade e impede recuos significativos.
Demanda retraída e substituição entre variedades
De acordo com Oliveira, a demanda pelo feijão preto está mais fraca, pois grandes empacotadoras já se abasteceram diretamente na origem, reduzindo a liquidez do mercado spot. Ainda assim, o produto beneficiado segue com prêmios relevantes frente ao granel.
O diferencial de preço em relação ao feijão carioca abriu espaço para substituição nas cestas básicas e contratos mais sensíveis ao custo, criando um piso de sustentação para o mercado.
“Com o produto importado fora de competitividade e as liberações de volumes ocorrendo de forma fracionada, o mercado permanece travado, firme e seletivo, aguardando melhora na qualidade da oferta para reativar os negócios”, conclui Oliveira.
Fonte: Portal do Agronegócio