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18-02-2026

Mercado do boi gordo reage em janeiro e retoma trajetória de alta

O mercado do boi gordo iniciou o ano em forte recuperação, revertendo o cenário de estabilidade e queda observado nos últimos meses de 2025. Segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o movimento de alta foi sustentado por uma combinação de exportações robustas, oferta restrita e firmeza nas carcaças.

Em 10 de fevereiro, a arroba do boi gordo foi negociada a R$ 337 em São Paulo, o que representa alta de 6% frente a 15 de janeiro — um avanço de R$ 20/@ em menos de um mês e superando o pico anterior de R$ 328/@ registrado em abril de 2025.

Exportações aquecidas e queda nos abates fortalecem o mercado

A reação do mercado foi impulsionada por exportações aquecidas e redução na oferta de animais terminados.

Os embarques de carne bovina in natura totalizaram 231,8 mil toneladas em janeiro, alta de 28,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O preço médio foi de US$ 5,6 mil por tonelada, uma leve retração de 0,6% frente a dezembro.

Os envios para a China cresceram 31% e, para os Estados Unidos, 63%, com incremento também nos demais principais destinos. Já os dados preliminares de abate indicaram uma queda de 5% frente ao início do ano anterior, acompanhada por menor participação de fêmeas, o que reforçou o viés de alta dos preços.

Mercado interno mantém firmeza mesmo em mês sazonalmente fraco

Mesmo com janeiro tradicionalmente marcado por menor consumo de carnes, o mercado doméstico se mostrou resiliente. Enquanto as carnes de frango e suína registraram queda, os preços das carcaças bovinas se mantiveram firmes, sustentando as margens da indústria.

O spread da carcaça casada, que mede a diferença entre o preço pago pelo boi e o valor obtido na venda da carne, chegou a 10% em janeiro, ante 4% em novembro de 2025. Com o reajuste nas cotações do boi gordo, o índice recuou para aproximadamente 6%, voltando à média histórica.

Demanda externa deve sustentar preços no curto prazo

A combinação entre exportações fortes e oferta controlada tende a manter os preços em patamares firmes nas próximas semanas. O relatório do Itaú BBA destaca que, se a demanda chinesa permanecer intensa, há espaço para novas valorizações, mesmo durante o período de safra.

Entretanto, a instituição alerta que a gestão da cota de exportação chinesa será decisiva para evitar movimentos bruscos de mercado e impactos sobre a demanda no segundo semestre.

Cota chinesa e incertezas no comércio internacional

Após a imposição de medidas de salvaguarda pela China, ainda não está claro como as plantas frigoríficas brasileiras irão administrar o uso da cota de importação. A Abiec solicitou apoio do governo para coordenar o processo e evitar distorções de mercado.

Há também indefinição quanto às cargas já embarcadas e que chegaram à China a partir de 1º de janeiro, estimadas em 350 mil toneladas, que podem ficar fora da cota vigente. Caso a gestão seja mal coordenada, o cenário pode gerar uma pressão altista temporária nos preços, seguida por ajustes negativos após o preenchimento da cota.

Perspectivas: estabilidade com viés positivo

Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para a China até agosto, e esse volume pode ser atingido mais cedo em 2026 caso o ritmo de embarques se mantenha acelerado.

O Itaú BBA avalia que, apesar das incertezas no comércio exterior, a tendência geral é de sustentação dos preços, apoiada por demanda externa sólida e oferta mais ajustada no início do ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

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