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05-03-2026

Consumo de peixe cresce até 40% na Quaresma

Piscicultura reforça manejo na Quaresma

Agrolink - Seane Lennon

O consumo de pescado aumenta em todo o país durante o período da Quaresma, quando parte da população substitui a carne vermelha por peixe. De acordo com o Boletim Estatístico da Pesca e Aquicultura do Ministério da Pesca e Aquicultura, cada brasileiro consome, em média, 9,5 quilos de peixe por ano. A demanda pode crescer até 40% entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Semana Santa, período em que a piscicultura intensifica a produção. Com o aumento da atividade nas fazendas aquícolas, especialistas apontam que os cuidados com sanidade e manejo devem ser reforçados.

Com mais peixes por metro quadrado, maior oferta de ração e aumento da movimentação nos viveiros, o sistema produtivo passa a operar sob maior pressão. Esse cenário pode provocar estresse nos animais e desequilíbrios no ambiente aquático. O consultor técnico comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal, Cleber Daniel Almeida, afirma que “é preciso reforçar a biossegurança, controlar o acesso de pessoas e equipamentos, planejar bem a densidade de peixes e monitorar a qualidade da água diariamente, principalmente ao amanhecer, quando os níveis de oxigênio costumam estar mais baixos”.

Segundo especialistas, alterações no comportamento dos peixes podem indicar problemas sanitários. Animais que sobem frequentemente à superfície, nadam de forma desordenada, deixam de se alimentar ou apresentam aumento repentino de mortalidade nos tanques exigem atenção do produtor. Entre as enfermidades mais frequentes nesses períodos estão infecções bacterianas, que tendem a se disseminar com maior facilidade quando os peixes estão sob estresse e a qualidade da água não é adequada.

A condição sanitária dos animais também tem impacto direto sobre a produtividade nas pisciculturas. “Um animal que passou por estresse ou enfrentou alguma doença pode ter pior rendimento e qualidade. Isso afeta desde o crescimento até a firmeza da carne depois do abate”, explica Cleber Daniel Almeida. Segundo ele, quando o peixe utiliza parte da energia para se defender de condições adversas no ambiente, o potencial de crescimento é reduzido.

Para reduzir riscos em um período de maior comercialização, a recomendação é manter o acompanhamento constante da qualidade da água, ajustar a densidade de estocagem e fornecer alimentação adequada a cada fase de desenvolvimento, além de contar com orientação técnica. “O segredo é prevenção. Monitorar, agir rápido e ajustar a nutrição ajudam o produtor a passar pela Quaresma com segurança e entregar peixes de qualidade aos consumidores”, destaca o especialista da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

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