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27-05-2026

Proteína do capim cai até 40% na transição para a seca

transição entre o período chuvoso e a seca já começa a alterar a qualidade das pastagens em diferentes regiões do país e exige atenção dos pecuaristas. Com a redução das chuvas, o capim perde ritmo de crescimento, reduz o teor de proteína e aumenta a concentração de fibra, comprometendo o desempenho dos animais e elevando o risco de perda de peso no rebanho.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cerca de 95% da produção brasileira de carne bovina depende diretamente das pastagens, o que torna o manejo nutricional e o planejamento da fazenda fatores decisivos para atravessar o período seco sem impactos maiores na produtividade.

O zootecnista Bruno Marson afirma que muitos produtores ainda deixam o planejamento para o momento em que a seca já começou, reduzindo a capacidade de reação da propriedade. “Entender esse momento do ciclo da pastagem é essencial para planejar o manejo e manter a produtividade. Deixar o planejamento para depois, não ajustar a nutrição e ignorar o manejo de pastagens podem acarretar prejuízos para o produtor. Um bom planejamento estratégico deve ser feito com pelo menos seis meses de antecedência”, alerta.

Menos proteína e mais fibra

Durante a transição águas-seca, a proteína presente no capim pode cair de níveis entre 8% e 10% para menos de 6%, enquanto a fibra aumenta. Esse desequilíbrio reduz a eficiência ruminal e limita o aproveitamento da forragem pelos animais.

Segundo Marson, o planejamento da propriedade deve envolver tanto o manejo das pastagens quanto a suplementação nutricional do rebanho.

Entre as medidas recomendadas está o ajuste de lotação, reduzindo o número de animais por hectare para evitar superpastejo e preservar a oferta de volumoso ao longo da seca. O monitoramento da altura do capim também entra na estratégia para impedir que a pastagem entre na estiagem excessivamente baixa.

Suplementação deve começar antes da seca

Na parte nutricional, a orientação é iniciar gradualmente a troca dos suplementos ainda durante a fase de transição climática, quando os pastos começam a perder coloração e qualidade. “O momento propício para a troca do suplemento é durante o período de transição, quando os pastos começam a amarelar, para evitar quedas de desempenho. A troca deve ser realizada de maneira gradual, para que os animais se adaptem bem ao novo alimento”, explica Marson.

Os suplementos utilizados no período seco normalmente possuem maior aporte proteico, seja via ureia ou farelos proteicos, além de minerais, vitaminas e fontes energéticas que ajudam a compensar a perda nutricional das pastagens.

O zootecnista recomenda que, na primeira semana de adaptação, o produtor misture um saco do suplemento novo para dois do antigo. Na segunda semana, a proporção deve ser invertida. A partir da terceira semana, o novo suplemento pode ser fornecido integralmente no cocho. “Com a suplementação adequada, o produtor poderá passar pela fase de águas-seca com mais tranquilidade, sabendo que seu rebanho está sendo bem tratado, garantindo, assim, a rentabilidade da fazenda”, afirma Marson.

Fonte: O Presente Rural com Connan

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