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14-07-2026

Café sobe nas bolsas internacionais com alerta para El Niño

Os preços do café abriram esta terça-feira (14) em alta nas bolsas internacionais, refletindo a volta do interesse comprador após a correção registrada no início da semana. O mercado permanece altamente sensível às condições climáticas nas principais regiões produtoras, ao avanço da colheita brasileira e às perspectivas para a oferta global na safra 2026/27.

Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato de café arábica com vencimento em setembro de 2026 era negociado a 334,15 cents de dólar por libra-peso, alta de 415 pontos. O contrato dezembro/26 avançava 365 pontos, cotado a 314,70 cents/lbp.

Já na ICE Europe, em Londres, o café robusta também operava em terreno positivo. O contrato setembro/26 era negociado a US$ 3.873 por tonelada, valorização de 39 dólares, enquanto o vencimento novembro/26 subia 36 dólares, para US$ 3.832 por tonelada.

Mercado volta a reagir às preocupações climáticas

Depois de semanas em que as expectativas de uma oferta mais confortável pressionaram as cotações, o mercado voltou a precificar riscos relacionados ao clima.

O principal fator continua sendo a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño no segundo semestre, que pode alterar significativamente os regimes de chuva nas principais regiões produtoras de café do mundo.

Segundo análises da Organização Internacional do Café (OIC), o mercado interrompeu a tendência de queda observada no início de junho justamente quando aumentou a probabilidade de formação de um evento climático mais intenso, elevando as incertezas sobre a produção da safra 2026/27.

Entre os possíveis impactos climáticos estão:

  • redução das chuvas na América Central, Caribe e México;
  • temperaturas mais elevadas e menor precipitação no norte da América do Sul;
  • excesso de chuvas no Sul do Brasil;
  • irregularidade climática na África Oriental;
  • condições mais secas em importantes produtores asiáticos, como Vietnã e Indonésia.

Esses fatores aumentam o risco para a produtividade e para a qualidade dos grãos, mantendo elevada a volatilidade das cotações internacionais.

OIC aponta queda de 2,8% nos preços em junho

Apesar da recuperação observada nas últimas semanas do mês passado, o indicador composto de preços da Organização Internacional do Café (OIC) registrou média de 248,90 cents de dólar por libra-peso em junho, queda de 2,8% em relação aos 256,05 cents registrados em maio.

O movimento, entretanto, foi marcado por forte volatilidade.

No dia 9 de junho, o indicador atingiu 231,96 cents por libra-peso, o menor nível em quase dois anos. A partir dessa data, o mercado iniciou uma forte recuperação, acumulando alta de aproximadamente 17,4% até o encerramento do mês, quando alcançou 272,39 cents, o maior patamar em dois meses.

Segundo a OIC, essa reversão foi impulsionada principalmente pelas preocupações climáticas e pelos atrasos na colheita brasileira.

Colheita brasileira segue influenciando o mercado

O avanço da colheita no Brasil continua ampliando gradualmente a disponibilidade de café, mas as condições meteorológicas vêm limitando o ritmo dos trabalhos em diversas regiões produtoras.

Levantamentos da Safras & Mercado mostraram que a colheita avançava abaixo da média histórica durante junho, especialmente nas áreas produtoras de café arábica em Minas Gerais.

As chuvas acima da média dificultaram as operações de colheita e secagem dos grãos, levantando preocupações sobre perdas de qualidade e redução do rendimento.

Dados meteorológicos indicaram acumulados excepcionais de precipitação em regiões produtoras mineiras, cenário incomum para o período seco do ano e que contribuiu para aumentar a preocupação dos agentes do mercado.

Estoques certificados permanecem reduzidos

Outro fator de sustentação dos preços é a redução dos estoques certificados nas bolsas internacionais.

O volume combinado de estoques certificados de café arábica e robusta da ICE encerrou junho em aproximadamente 1,09 milhão de sacas, o menor nível desde fevereiro de 2024.

A redução dos estoques diminui a margem de segurança do mercado diante de eventuais problemas de oferta, tornando as cotações mais sensíveis a qualquer notícia envolvendo clima, logística ou produção.

Tensões geopolíticas também elevam os custos

Além das questões climáticas, o mercado continua monitorando os reflexos das tensões geopolíticas nas rotas internacionais de transporte.

Os problemas registrados no Estreito de Ormuz durante junho elevaram os custos logísticos globais, pressionando despesas com frete marítimo, combustíveis e fertilizantes.

Mesmo após uma reabertura parcial da rota, novos incidentes envolvendo embarcações comerciais mantiveram elevados os prêmios de risco do transporte internacional, fator que continua sendo acompanhado pelos operadores.

Oferta mundial ainda limita altas mais fortes

Embora os fatores climáticos sustentem os preços no curto prazo, o mercado também convive com perspectivas de maior produção mundial.

Entre os principais fatores de pressão baixista destacam-se:

  • projeção do USDA para uma safra recorde de café no Brasil em 2026/27;
  • aumento das estimativas de produção divulgadas pela Conab e pela Safras & Mercado;
  • expectativa de superávit global de café arábica, segundo o Rabobank;
  • revisão para cima da produção do Vietnã, maior produtor mundial de robusta;
  • fortalecimento recente do dólar frente a outras moedas, que reduz a competitividade das commodities negociadas em moeda norte-americana.

Perspectiva

O mercado internacional do café segue dividido entre fundamentos de oferta mais favoráveis e riscos climáticos crescentes.

Enquanto o avanço da colheita brasileira e as projeções de safra recorde exercem pressão sobre os preços, a possibilidade de um El Niño mais intenso, os estoques reduzidos e as incertezas sobre a qualidade da produção mantêm investidores atentos às previsões meteorológicas.

Com esse cenário, a volatilidade deverá continuar elevada nas próximas semanas, fazendo do clima o principal direcionador das cotações do café nas bolsas internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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