O mercado internacional do café iniciou a terça-feira (21) em movimento misto, mantendo o foco sobre o avanço da colheita brasileira, o comportamento do dólar e as condições climáticas nas principais regiões produtoras. Enquanto os contratos futuros do café arábica registravam alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o robusta operava próximo da estabilidade em Londres, refletindo um cenário de ajustes técnicos e cautela entre os investidores.
A valorização do arábica ocorre após uma recuperação observada no fechamento da sessão anterior, impulsionada principalmente pela desvalorização do dólar frente ao real. A moeda americana mais fraca reduz a competitividade das exportações brasileiras e tende a limitar a oferta imediata do produto no mercado internacional, fator que favorece os preços.
Arábica amplia ganhos em Nova York
Na abertura desta terça-feira, o contrato setembro/2026 do café arábica era negociado a 328,45 cents de dólar por libra-peso, com valorização de 390 pontos. O vencimento dezembro/2026 avançava para 313,90 cents, registrando alta de 445 pontos.
Na sessão anterior, os contratos haviam encerrado em alta após uma sequência de perdas acumuladas ao longo da última semana. O contrato setembro fechou cotado a 324,55 cents por libra-peso, avanço de 1,3%, enquanto o dezembro encerrou a 309,45 cents, com valorização de 1,8%.
Analistas apontam que o movimento também reflete uma correção técnica do mercado, somada às preocupações com o ritmo da oferta brasileira e às incertezas climáticas que ainda cercam a produção global.
Robusta permanece estável em Londres
Na ICE Europe, referência para o café robusta, o mercado apresentou poucas oscilações.
O contrato setembro/2026 era negociado a US$ 3.879 por tonelada, com leve queda de US$ 5. Já o vencimento novembro/2026 avançava US$ 12, sendo cotado a US$ 3.863 por tonelada.
A estabilidade reflete a expectativa de maior disponibilidade do café canéfora brasileiro, embora o mercado continue monitorando possíveis impactos sobre a qualidade dos grãos.
Colheita brasileira segue atrasada
Apesar da melhora nas condições climáticas, a colheita do café no Brasil continua abaixo do ritmo registrado nos últimos anos.
Levantamento da Safras & Mercado mostra que, até 15 de julho, 64% da safra brasileira 2026/27 havia sido colhida. O percentual representa avanço semanal de seis pontos percentuais, mas permanece abaixo dos 77% registrados no mesmo período de 2025 e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 70%.
O atraso é consequência das chuvas registradas durante parte do período de colheita, que interromperam os trabalhos em diversas regiões produtoras e retardaram a chegada dos grãos ao mercado.
Além da menor velocidade da colheita, o excesso de umidade aumenta as preocupações quanto à qualidade do café, fator acompanhado de perto pelos compradores internacionais.
Canéfora acelera, mas arábica ainda preocupa
Os dados mostram diferenças importantes entre as duas variedades produzidas no Brasil.
A colheita do café canéfora (conilon/robusta) atingiu 84% da produção, avançando de forma consistente, embora ainda abaixo dos 93% registrados no mesmo período do ano passado e da média histórica de 87%.
Já o café arábica alcançou 54% da produção colhida, mantendo ritmo inferior aos 67% observados em 2025 e também abaixo da média dos últimos cinco anos, de 61%.
Esse cenário mantém o mercado atento à disponibilidade do produto nos próximos meses e ao comportamento da oferta brasileira durante o restante da safra.
Clima favorece trabalhos no campo
As perspectivas meteorológicas seguem positivas para os cafeicultores.
Segundo a Climatempo, o predomínio de tempo seco deve favorecer tanto a colheita quanto a secagem dos grãos na maior parte das regiões produtoras ao longo desta semana.
Uma frente fria deverá avançar sobre São Paulo a partir de quinta-feira, com possibilidade de chuvas entre sexta-feira e sábado em áreas de São Paulo, sul de Minas Gerais e Zona da Mata. No entanto, os volumes previstos não devem provocar impactos relevantes sobre a cafeicultura.
Para o restante de julho, a previsão continua indicando predomínio de tempo seco na maior parte das regiões produtoras do Sudeste e da Bahia, com apenas pancadas isoladas entre o Espírito Santo e o sul baiano.
Mercado segue atento ao clima global
Além da safra brasileira, os investidores acompanham as perspectivas climáticas internacionais. A evolução do fenômeno El Niño continua gerando incertezas sobre a produção futura em importantes países produtores, fator que mantém elevada a sensibilidade dos preços nas bolsas internacionais.
Combinando atraso na colheita brasileira, oferta ainda limitada, comportamento do dólar e monitoramento das condições climáticas, o mercado do café permanece operando em ambiente de elevada volatilidade, enquanto compradores e produtores aguardam maior definição sobre o tamanho e a qualidade da safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio