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27-07-2026

Café dispara nas bolsas internacionais com alerta climático

O mercado internacional do café abriu a semana em forte valorização nesta segunda-feira (27), impulsionado por uma combinação de fatores que mantém os investidores em estado de atenção. Enquanto o risco de eventos climáticos extremos volta ao centro das preocupações, a perspectiva de uma safra mundial recorde limita movimentos mais intensos de alta, ampliando a volatilidade das cotações nas principais bolsas de commodities.

Os contratos futuros do café arábica negociados na ICE Futures US registraram ganhos superiores a 1.400 pontos nas primeiras negociações do dia. Ao mesmo tempo, o café robusta também avançou na ICE Europe, refletindo um movimento de recuperação após as perdas registradas na semana anterior.

O contrato de setembro de 2026 do café arábica era negociado a 328,25 cents de dólar por libra-peso, alta de 14,45 pontos, enquanto o robusta com vencimento no mesmo período subia US$ 40, sendo cotado a US$ 3.797 por tonelada.

Risco de Super El Niño volta ao radar do mercado de café

Grande parte da reação dos preços está relacionada ao aumento das preocupações com o comportamento do clima para os próximos meses. Investidores acompanham a possibilidade de formação de um Super El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027, cenário que pode alterar significativamente os padrões de chuva nas principais regiões produtoras de café do mundo.

Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno, com anomalias da temperatura da superfície do Oceano Pacífico variando entre 1,8°C e 2,5°C.

Caso o evento climático se confirme, especialistas avaliam que poderão ocorrer impactos importantes sobre a produção agrícola global, aumentando a volatilidade dos mercados e elevando o prêmio de risco das commodities agrícolas.

Embora ainda não existam reflexos diretos sobre a safra brasileira atualmente em colheita, o mercado passou a incorporar esse fator nas negociações futuras, antecipando possíveis impactos sobre a oferta global de café.

Impactos econômicos podem ultrapassar US$ 3 trilhões

Além dos reflexos sobre a produção agrícola, estudos internacionais apontam que um Super El Niño pode provocar consequências expressivas para a economia mundial.

Estimativas do Peterson Institute for International Economics indicam que um evento dessa magnitude pode gerar perdas de aproximadamente US$ 686 bilhões apenas no primeiro ano, acumulando impactos próximos de US$ 3,1 trilhões em cinco anos, em função da redução dos investimentos, interrupções nas cadeias globais de suprimentos, menor produtividade agrícola e aumento das pressões inflacionárias.

Países exportadores de commodities, como o Brasil, tendem a apresentar maior sensibilidade diante desse tipo de fenômeno climático, principalmente em culturas como café, soja, milho, açúcar e cacau.

Safra mundial recorde limita avanço das cotações

Apesar do suporte proporcionado pelas incertezas climáticas, o mercado continua acompanhando uma perspectiva de forte expansão da oferta mundial.

As projeções para a safra global de café 2026/27 apontam para um novo recorde de produção, impulsionado principalmente pela recuperação da safra brasileira de café arábica e pelo aumento da produção de robusta no Vietnã.

Também são esperadas colheitas maiores em importantes países produtores, como Etiópia e Uganda, fortalecendo a disponibilidade global do produto.

As estimativas indicam:

  • Produção mundial: 189,7 milhões de sacas;
  • Consumo global: 179,7 milhões de sacas;
  • Exportações: 131,4 milhões de sacas, novo recorde;
  • Estoques finais: 26,3 milhões de sacas.

A recomposição gradual da oferta tende a reduzir parte da pressão observada nos últimos anos, quando os estoques globais permaneceram historicamente baixos.

Colheita brasileira segue acompanhada de perto

No Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, o andamento da colheita continua sendo um dos principais fatores monitorados pelos participantes do mercado.

As condições climáticas permanecem favoráveis na maior parte das regiões produtoras, permitindo avanço dos trabalhos de campo. Chuvas pontuais registradas em áreas do Sudeste provocaram interrupções temporárias, mas, até o momento, não há previsão de geadas ou outros eventos climáticos capazes de comprometer significativamente a produção.

Além do volume colhido, operadores acompanham atentamente a qualidade dos grãos, fator considerado decisivo para o desempenho das exportações brasileiras durante o segundo semestre.

Estoques reduzidos mantêm suporte ao mercado

Mesmo diante da expectativa de maior produção global, outro fator continua oferecendo sustentação estrutural aos preços.

Os estoques certificados de café nas bolsas internacionais permanecem em níveis inferiores aos registrados há um ano, mantendo a disponibilidade imediata relativamente restrita no mercado físico e contribuindo para limitar quedas mais acentuadas das cotações.

Mercado de café deve permanecer altamente volátil

A combinação entre perspectiva de safra mundial recorde, baixos estoques disponíveis, riscos climáticos crescentes e avanço da colheita brasileira deve continuar determinando o comportamento do mercado nas próximas semanas.

Enquanto os fundamentos de oferta apontam para um ambiente mais confortável no médio prazo, qualquer alteração nas condições climáticas das principais regiões produtoras poderá provocar rápidas mudanças de direção nas bolsas internacionais.

Dessa forma, o mercado do café permanece extremamente sensível às informações relacionadas ao clima, ao ritmo da colheita brasileira, à evolução dos estoques globais e às futuras revisões das estimativas de produção mundial, fatores que deverão seguir influenciando diretamente a formação dos preços internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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