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31-07-2026

Milho recua em Chicago com previsão de chuvas nos EUA

Os preços do milho operam sob pressão no mercado internacional nesta sexta-feira (31), refletindo a expectativa de melhora nas condições das lavouras dos Estados Unidos. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros ampliaram as perdas registradas ao longo da semana diante da previsão de chuvas abrangentes no Meio-Oeste norte-americano, cenário considerado favorável ao desenvolvimento da safra durante a fase crítica de polinização.

Enquanto isso, no mercado brasileiro, a comercialização segue em ritmo lento. O atraso da colheita da segunda safra (safrinha), aliado à disputa entre a demanda interna e o programa de exportações, continua oferecendo sustentação às cotações, apesar da baixa liquidez observada em diversas regiões produtoras.

Clima nos Estados Unidos pressiona contratos do milho em Chicago

Por volta das 9h26 (horário de Brasília), os principais vencimentos do milho registravam leves quedas na Bolsa de Chicago:

  • Setembro/2026: US$ 4,43 por bushel (-2 pontos);
  • Dezembro/2026: US$ 4,66 (-2 pontos);
  • Março/2027: US$ 4,82 (-2,50 pontos);
  • Maio/2027: US$ 4,90 (-2,75 pontos).

De acordo com analistas do mercado internacional, as previsões meteorológicas reduziram parte do prêmio climático incorporado às cotações nos últimos dias.

Segundo Bruce Blythe, analista do Farm Futures, as liquidações foram intensificadas pelas previsões de chuvas generalizadas no cinturão produtor norte-americano.

"A expectativa é de que as precipitações melhorem o potencial produtivo justamente no período mais importante para definição da produtividade do milho, durante a polinização."

Além do fator climático, a fraqueza observada no mercado do trigo também contribuiu para aumentar a pressão sobre os contratos futuros do cereal.

Mercado brasileiro encontra suporte no atraso da colheita

No Brasil, o cenário permanece distinto do mercado externo. Conforme análise da TF Agroeconômica, a lentidão na colheita da segunda safra reduz a disponibilidade imediata do cereal e ajuda a equilibrar o avanço da oferta com a demanda doméstica e os embarques destinados à exportação.

Na B3, os contratos futuros encerraram o pregão anterior com pequenas oscilações:

  • Setembro/2026: R$ 69,78 por saca (-R$ 0,23 no dia e -R$ 0,97 na semana);
  • Novembro/2026: R$ 74,64 (-R$ 0,24 no dia e -R$ 0,11 na semana);
  • Janeiro/2027: R$ 77,75 (-R$ 0,19 no dia, mas alta semanal de R$ 0,35).

Apesar das pequenas variações, operadores seguem cautelosos diante da evolução da colheita e da definição do fluxo de exportações nos próximos meses.

Comercialização segue lenta nas principais regiões produtoras

No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais, com indicações entre R$ 58 e R$ 63 por saca. A média estadual ficou em R$ 58,94, registrando leve retração de 0,17%.

A estimativa final da safra 2025/26 aponta produção de 5,98 milhões de toneladas, crescimento de 13,1% em relação ao ciclo anterior, cultivada em uma área de aproximadamente 812,5 mil hectares.

Em Santa Catarina, o mercado permanece travado pela diferença entre compradores e vendedores. Enquanto produtores pedem cerca de R$ 60 por saca, a indústria segue ofertando valores próximos de R$ 55, reduzindo significativamente a liquidez.

No Paraná, a comercialização também avança lentamente. O Departamento de Economia Rural (Deral) revisou a projeção da segunda safra de milho de 17,60 milhões para 17,05 milhões de toneladas, refletindo os impactos do calendário tardio e das chuvas sobre o desenvolvimento das lavouras. A colheita alcança aproximadamente 40% da área cultivada.

Já em Mato Grosso do Sul, as negociações ocorrem entre R$ 48,00 e R$ 50,05 por saca. Mesmo com o aumento da oferta, a demanda da indústria de bioenergia tem absorvido parte do volume disponível, reduzindo a pressão baixista sobre os preços.

Mercado acompanha clima nos EUA e avanço da safrinha brasileira

O mercado do milho encerra a semana dividido entre dois fatores centrais. No cenário internacional, o clima favorável nos Estados Unidos aumenta as expectativas de uma safra cheia e pressiona os contratos negociados em Chicago. No Brasil, porém, o atraso da colheita da safrinha, a demanda consistente da indústria e o programa de exportações seguem limitando movimentos mais intensos de queda.

Nos próximos dias, investidores deverão acompanhar de perto a evolução das condições climáticas no Meio-Oeste norte-americano, o ritmo da colheita brasileira e o comportamento da demanda internacional, fatores que continuam determinando a direção das cotações do milho no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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