No acumulado até junho, o volume produzido chegou a 4,96 bilhões de litros
Agrolink - Leonardo Gottems
A produção brasileira de biodiesel perdeu força em junho, após avançar nos primeiros meses do ano, e passou a indicar uma possível mudança de tendência para o restante de 2026. A avaliação é de Marcos Rubin, estrategista de dados para o agronegócio, a partir de informações da ANP.
No acumulado até junho, o volume produzido chegou a 4,96 bilhões de litros, alta de 9% sobre os 4,55 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Apesar do resultado positivo no semestre, a queda mais intensa no último mês acendeu um sinal de cautela. Em 2025, a produção anual alcançou 9,84 bilhões de litros, avanço de 8,3% ante 2024, quando o total havia sido de 9,09 bilhões.
Segundo a análise, dois fatores devem limitar o ritmo da atividade nos próximos meses. O primeiro é a ausência do B16, mistura que elevaria a demanda e que ainda não foi implementada. O segundo é o enfraquecimento do mercado de diesel, ao qual o consumo de biodiesel está diretamente ligado. Sem o novo mandato e com a retração do combustível fóssil, a tendência apontada é de desaceleração da produção.
A composição das matérias-primas também mostra uma mudança relevante. O óleo de soja continuou como principal insumo, com 3,71 bilhões de litros no semestre, crescimento de 6,9%. No entanto, os maiores avanços vieram de outros óleos, que subiram 15% e chegaram a 920 milhões de litros, e da gordura animal, com alta de 17,1%, para 410 milhões. O movimento indica que a expansão não foi puxada apenas pela soja.
“Entre as matérias-primas, o óleo de soja não foi o que mais cresceu. Quem puxou a produção foram outros óleos e a gordura animal. Na Veeries, a leitura é de um momento desafiador — não só para a indústria de biodiesel, mas também para as esmagadoras de soja”, conclui ele, que é CEO da consultoria.