O trigo argentino nacionalizado foi cotado a US$ 292 por tonelada
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado de trigo no Sul do Brasil segue com negociações pontuais, diferenças regionais de preços e cautela entre compradores e vendedores diante das incertezas para a nova safra. Segundo a TF Agroeconômica, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apresentam cenários distintos, com atenção à qualidade do cereal, ao ritmo da moagem e à necessidade futura de importações.
No Rio Grande do Sul, levantamento do Cepea apontou alta semanal de 0,25% nos preços, movimento que levou alguns moinhos a reforçar estoques para garantir matéria prima até novembro. Para retirada em agosto e pagamento em setembro, o trigo foi negociado em média a R$ 1.300 por tonelada no interior, enquanto o melhorador chegou a R$ 1.350. As referências alcançaram R$ 1.460 CIF para produto de boa qualidade e cerca de R$ 1.380 CIF para trigo padrão.
O trigo argentino nacionalizado foi cotado a US$ 292 por tonelada em Canoas, valorização semanal de 6,2%. Ao mesmo tempo, moinhos relatam dificuldades com níveis elevados de DON no cereal disponível. Em Panambi, o preço ao produtor recuou para R$ 69 por saca. Na safra nova, cerca de 60 mil toneladas já foram comercializadas, menos da metade do volume observado no mesmo período do ano passado. Diante das incertezas relacionadas ao El Niño, a recomendação é evitar vendas físicas antecipadas e, para quem pretende fixar preços, utilizar operações em Bolsa.
Em Santa Catarina, o mercado permanece lento, com moinhos abastecidos, baixa moagem e pressão sobre a farinha. O trigo local para pão aparece entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio ainda está no início.
No Paraná, os preços médios subiram 0,80%, sustentados pela procura por trigo e farinhas de melhor qualidade. Negócios ocorreram a R$ 1.450 CIF moinho na região de Curitiba, enquanto a safra nova encontra vendedores retraídos. Para 2027, analistas estimam necessidade de importação de cerca de 1,5 milhão de toneladas pelo estado.