O IPCA avançou 0,07% em julho
Agrolink - Leonardo Gottems
A inflação brasileira manteve trajetória de desaceleração em julho, enquanto os dados de varejo e serviços reforçaram sinais de perda de ritmo da atividade econômica. Segundo análise do Rabobank, o cenário combina melhora da inflação corrente, juros ainda elevados e incertezas externas que seguem influenciando câmbio, petróleo e expectativas.
O IPCA avançou 0,07% em julho, acima das projeções do mercado e do banco, mas desacelerou no acumulado em 12 meses, de 4,6% em junho para 4,4%. O resultado recolocou a inflação ligeiramente abaixo do teto da meta, de 4,5%, com nova queda em alimentação e combustíveis contribuindo para uma leitura mais benigna na margem.
Na atividade, as vendas do varejo restrito cresceram 0,5% em junho, enquanto o varejo ampliado recuou 1,0%. O desempenho trimestral sugere possível desaceleração do setor. Já os serviços ficaram estáveis no mês, após queda de 0,2% em maio, mantendo a percepção de estagnação.
A ata do Copom indica que a política monetária restritiva vem transmitindo efeitos graduais à economia. Ao mesmo tempo, expectativas desancoradas exigem juros altos por mais tempo e atenção aos efeitos de segunda ordem.
No exterior, os núcleos do CPI e do PPI dos Estados Unidos vieram mais benignos em julho, em meio à perda de fôlego do mercado de trabalho. O conflito entre EUA e Irã permanece no radar, enquanto o Brent segue volátil, próximo de US$ 90.
O dólar encerrou a semana anterior em R$ 5,2228, com depreciação de 2,8% do real. O Rabobank projeta a moeda americana a R$ 5,35 no fim do ano, diante da expectativa de menor diferencial de juros e do quadro fiscal doméstico.