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19-08-2026

Safra de trigo deve encolher 26,2% no Brasil

O mercado brasileiro de trigo atravessa um período de baixa liquidez, especialmente na Região Sul, enquanto produtores, moinhos e demais agentes acompanham uma redução expressiva da safra nacional. A combinação entre preços pouco atrativos, demanda enfraquecida por farinha, concorrência do cereal importado e riscos climáticos levou os agricultores a diminuir a área cultivada.

De acordo com o 11º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo está estimada em 5,813 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de 3,5% frente à projeção anterior e uma retração de 26,2% na comparação com a temporada passada.

A redução da oferta, entretanto, ainda não foi suficiente para destravar as negociações no mercado interno. Segundo informações da TF Agroeconômica, compradores e vendedores continuam distantes em relação aos preços, enquanto a baixa demanda por farinha limita a necessidade de novas aquisições por parte dos moinhos.

Área plantada com trigo recua 20,4% no Brasil

A área destinada ao trigo foi estimada pela Conab em aproximadamente 1,947 milhão de hectares, redução de 20,4% em relação à safra 2024/25. O Rio Grande do Sul concentra a principal retração, seguido por ajustes em Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.

O movimento reflete a menor rentabilidade da cultura e a cautela dos produtores diante dos riscos climáticos. Além da diminuição da área, a produtividade média nacional deverá ficar 7,2% abaixo da registrada no ciclo anterior.

A Conab estima rendimento médio de 2.986 quilos por hectare, ante 2.959 quilos por hectare indicados anteriormente. O avanço em algumas regiões está associado principalmente ao aumento da participação de áreas irrigadas em Goiás. Minas Gerais também apresentou melhora nas estimativas de produtividade.

Mesmo com esses ajustes positivos, o desempenho não será suficiente para compensar a forte redução da área cultivada e as perdas projetadas em importantes estados produtores.

Mercado de trigo permanece lento no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, os vendedores pedem aproximadamente R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto os compradores indicam até R$ 1.320. A diferença entre as posições impede novos fechamentos.

As últimas operações com trigo não segregado foram registradas a R$ 1.300 por tonelada para embarque em agosto e a R$ 1.320 para setembro. A cobertura dos moinhos avançou de forma limitada, alcançando o fim de setembro, diante da baixa procura por farinha e da dificuldade para encontrar matéria-prima com as características desejadas.

Em Panambi, o trigo é negociado ao produtor por cerca de R$ 69 a saca de 60 quilos.

O mercado gaúcho também recebe influência direta das importações. Um carregamento de 31 mil toneladas de trigo argentino foi desembarcado pela Cargill, com o produto ofertado a US$ 290 por tonelada CIF Canoas.

Para a safra nova, aproximadamente 60 mil toneladas já teriam sido comercializadas. Compradores chegaram a indicar R$ 1.400 por tonelada FOB para entrega em dezembro, mas os vendedores não aceitaram a proposta.

Santa Catarina busca trigo em outros estados

A baixa disponibilidade de ofertas locais faz com que os moinhos de Santa Catarina procurem trigo em estados vizinhos. O cereal destinado à panificação é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada.

Nas operações de balcão, os preços variam de R$ 64 a R$ 75 por saca, conforme a praça e a qualidade do produto. A menor oferta estadual e a dependência de outras regiões aumentam a importância dos custos logísticos na formação das cotações.

Paraná monitora redução da área e risco de chuvas

No Paraná, as atenções estão concentradas na diminuição da área plantada e na possibilidade de chuvas durante a colheita. Precipitações excessivas nessa etapa podem comprometer a qualidade do cereal, especialmente o peso hectolítrico e a força do glúten, atributos importantes para a indústria de panificação.

O trigo da safra velha chega a R$ 1.500 por tonelada CIF nos Campos Gerais. Para a nova temporada, as indicações variam de R$ 1.450 por tonelada para setembro a R$ 1.400 para novembro.

A concorrência externa permanece relevante. O trigo argentino nacionalizado é indicado a US$ 310 por tonelada no porto, enquanto o produto paraguaio varia entre US$ 285 e US$ 310 por tonelada CIF Paraná.

Importações limitam recuperação dos preços internos

Mesmo diante da expectativa de uma safra brasileira menor, a presença do trigo argentino e paraguaio ajuda a abastecer os moinhos e limita uma reação mais intensa dos preços domésticos.

A competitividade do produto importado depende principalmente do câmbio, dos custos portuários, da logística e da qualidade exigida pelas indústrias. No curto prazo, os moinhos seguem comprando apenas os volumes necessários, sem demonstrar interesse em ampliar significativamente a cobertura.

Esse comportamento mantém o mercado travado: produtores resistem a vender pelos valores oferecidos, enquanto compradores evitam elevar as propostas diante do consumo moderado de farinha e das alternativas de importação.

Plantio está praticamente concluído nas principais regiões

A semeadura do trigo entrou na fase final no Brasil. Rio Grande do Sul e Paraná concluíram o plantio no início de agosto, com a maioria das lavouras em desenvolvimento vegetativo. No Paraná, algumas áreas já alcançaram as fases de floração e enchimento de grãos.

Em Santa Catarina, os trabalhos estão avançados, com predominância de lavouras em emergência e desenvolvimento vegetativo. Na Bahia e em Mato Grosso do Sul, as áreas estão principalmente entre o desenvolvimento vegetativo e o enchimento de grãos.

Em São Paulo, predominam lavouras em floração e enchimento. Minas Gerais concentra áreas em enchimento de grãos e maturação, além de registrar o início da colheita.

Em Goiás, a retirada do trigo cultivado em sequeiro avança, enquanto as áreas irrigadas permanecem em formação de panículas.

Clima e demanda definirão os próximos movimentos do trigo

A evolução das lavouras no Sul será determinante para o comportamento do mercado nos próximos meses. A redução da área deixa a oferta nacional mais vulnerável a eventuais problemas climáticos, principalmente geadas durante o desenvolvimento das plantas e excesso de chuva próximo à colheita.

Por outro lado, uma recuperação consistente das cotações dependerá também do aumento da demanda dos moinhos, da qualidade da safra nova e da competitividade do trigo importado.

Até que esses fatores apresentem uma direção mais clara, o mercado deverá continuar marcado por negociações pontuais, compradores cautelosos e produtores resistentes em aceitar preços considerados pouco remuneradores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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