Para os agricultores, a principal orientação é evitar venda e retenção total
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado do trigo entra na próxima semana com viés de alta, mas ainda sujeito a volatilidade e correções após a recuperação recente das cotações. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário combina restrições logísticas no Mar Negro, menor produção e estoques globais, firmeza no Paraná e recuperação em Chicago, o que favorece os preços sem eliminar o risco de realização de lucros.
Para os agricultores, a principal orientação é evitar tanto a venda total quanto a retenção integral do produto à espera de novas máximas. A recomendação é comercializar de 20% a 30% do trigo disponível agora e escalonar o restante, ampliando as vendas se Chicago superar a faixa de US$ 7,05 a US$ 7,10 por bushel. Para a safra nova, a estratégia indicada é fixar parcelas em diferentes níveis de preço, com atenção às referências de R$ 1.430 a R$ 1.450 por tonelada, R$ 1.470 a R$ 1.500 e, acima de R$ 1.500, aumentar a comercialização.
Às cooperativas, a indicação é comprar seletivamente, manter estoque controlado e combinar posições físicas com hedge, valorizando lotes de melhor qualidade. Para cerealistas, a recomendação é adotar estoque curto e giro rápido, evitando posições especulativas grandes e buscando margem definida nas operações.
Exportadores devem elevar a originação com agressividade moderada, acompanhar fretes e concorrentes do Mercosul e proteger margens. Já os moinhos são orientados a ampliar a cobertura para 60 a 90 dias, priorizando trigo de alta qualidade e fazendo compras mais longas de forma gradual.
A análise considera US$ 7,10 e US$ 7,25 por bushel como níveis relevantes para reforçar vendas, enquanto uma queda abaixo de US$ 6,65 enfraqueceria a leitura positiva. No mercado físico, preços dependem ainda de qualidade, frete, localização, câmbio e prêmios.