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25-08-2026

Argentina amplia mistura de etanol

A Argentina avança na transição energética com uma estratégia que combina aumento da mistura de etanol na gasolina, expansão do consumo interno e estímulo à produção de biocombustíveis. Esse movimento pode alterar a destinação do milho argentino, com uma parcela maior do cereal sendo processada pelas usinas e menor disponibilidade potencial para o mercado externo.

Embora ocorra em escala inferior à observada no Brasil, a transformação ganha importância para o agronegócio regional. A produção argentina de etanol deverá atingir o recorde de 1,35 bilhão de litros em 2026, com o milho respondendo por aproximadamente 60% desse volume.

Nova lei pode elevar mistura de etanol para 15%

A atual Lei de Biocombustíveis da Argentina, de número 27.640, permanece válida até 2030. Entretanto, o governo apresentou uma proposta para reformular o setor, ampliar a concorrência e aumentar os percentuais obrigatórios de biocombustíveis adicionados aos combustíveis fósseis.

O projeto prevê elevar o mandato nacional de mistura de bioetanol na gasolina dos atuais 12% para 15%. No caso do biodiesel, o percentual subiria de 7,5% para 10%.

A proposta também pretende estabelecer um novo marco regulatório para combustíveis avançados, incluindo Combustível Sustentável de Aviação (SAF), diesel renovável, hidrogênio e biometano.

Caso seja aprovada, a legislação representará a maior mudança no mercado argentino de biocombustíveis desde a criação da lei original, em 2006.

Etanol reúne maior apoio político e industrial

As negociações continuam no Senado argentino, mas a proposta recebeu apoio político e empresarial superior ao registrado em tentativas anteriores de reforma.

A ampliação do uso de etanol apresenta maior consenso. Já as mudanças relacionadas ao biodiesel ainda enfrentam resistência, principalmente entre pequenos produtores.

A preocupação é que a liberalização aumente a concorrência com grandes exportadores verticalmente integrados e companhias petrolíferas, reduzindo o espaço das pequenas e médias indústrias no mercado doméstico.

Produção de etanol deve alcançar recorde em 2026

A perspectiva para o etanol argentino é positiva. A produção deve alcançar 1,35 bilhão de litros em 2026, estabelecendo um novo recorde para o país.

O volume permanece distante dos mais de 40 bilhões de litros produzidos pelo Brasil, mas confirma o avanço da Argentina no segmento de combustíveis renováveis.

Do total argentino, aproximadamente 60% deverá ser obtido a partir do milho. A expansão da indústria, portanto, tende a elevar o consumo doméstico do cereal e pode limitar parte do excedente destinado às exportações.

Esse cenário merece atenção porque a Argentina está entre os principais fornecedores mundiais de milho. Qualquer aumento estrutural da demanda interna pode influenciar os fluxos comerciais e a disponibilidade regional do grão.

Consumo interno cresce 8,5% e chega a 1,28 bilhão de litros

O consumo argentino de etanol também deverá estabelecer um recorde em 2026, alcançando 1,28 bilhão de litros. O volume representa crescimento de 8,5% em relação a 2025.

A regulamentação permite que as distribuidoras negociem voluntariamente uma mistura de até 15% de etanol na gasolina. Essa flexibilização deve adicionar cerca de 100 milhões de litros à demanda ao longo do ano e elevar o percentual efetivamente utilizado para aproximadamente 13%.

Com o crescimento do consumo, cerca de 95% do etanol produzido na Argentina deverá permanecer no mercado doméstico.

Exportações argentinas de etanol devem recuar

As exportações estão projetadas em 80 milhões de litros em 2026, abaixo do recorde de 131 milhões de litros registrado em 2025. O Brasil deverá continuar como o principal destino dos embarques argentinos.

A redução prevista mostra que a expansão produtiva será absorvida principalmente pelo mercado interno. A Argentina passa a utilizar uma parcela maior do próprio biocombustível, diminuindo o excedente disponível para venda a outros países.

Para o Brasil, o movimento deve ser acompanhado tanto pelo impacto no comércio bilateral de etanol quanto pelo aumento da transformação de milho em combustível no país vizinho.

Biocombustíveis integram metas ambientais da Argentina

A ampliação dos combustíveis de baixo carbono faz parte dos compromissos climáticos argentinos. O país estabeleceu como meta limitar suas emissões de gases de efeito estufa a 375 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente até 2030.

De acordo com relatório do adido agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Buenos Aires, a Argentina mantém isenções tributárias para os biocombustíveis.

Os preços oficiais de compra dentro do mandato de mistura, contudo, continuam regulamentados pela Secretaria de Energia. A demora na atualização desses valores reduz periodicamente a rentabilidade das indústrias, sobretudo das pequenas e médias produtoras de biodiesel dependentes do mercado obrigatório.

Biodiesel cresce, mas capacidade industrial permanece ociosa

A produção argentina de biodiesel está projetada em quase 1,2 bilhão de litros em 2026, avanço de 8% na comparação anual.

O consumo doméstico deve aumentar 20%, alcançando 960 milhões de litros, enquanto a mistura média no diesel pode chegar a 7,2%.

Apesar da recuperação, as usinas devem operar com apenas 27% da capacidade instalada. O índice revela uma elevada ociosidade e mostra que a indústria ainda está distante de utilizar plenamente seu potencial produtivo.

Barreiras comerciais limitam exportações de biodiesel

O biodiesel argentino enfrenta dificuldades para entrar em importantes mercados internacionais. Desde 2018, os Estados Unidos permanecem praticamente fechados ao produto devido à aplicação combinada de direitos antidumping e compensatórios, que variam aproximadamente de 130% a 160%.

Segundo o USDA, uma nova revisão quinquenal dessas medidas não deverá ocorrer antes de 2028.

A União Europeia permanece como o principal mercado relevante para o biodiesel argentino. Pelo acordo firmado em 2019, o produto conta com preço mínimo de importação e uma cota anual isenta de tarifas equivalente a 1,36 bilhão de litros.

Demanda por etanol pode mudar dinâmica do milho argentino

O fortalecimento dos biocombustíveis inaugura uma nova fase para a cadeia de milho da Argentina. O aumento da mistura, o consumo recorde de etanol e a possibilidade de novos investimentos industriais tendem a ampliar a demanda interna pelo cereal.

Embora o impacto dependa da aprovação da reforma e do ritmo de expansão das usinas, o direcionamento de mais milho para a produção de combustível pode reduzir gradualmente os excedentes exportáveis.

A Argentina passa, assim, a seguir uma trajetória já observada no Brasil: transformar uma parcela crescente da produção agrícola em energia renovável, agregando valor internamente e aumentando a influência dos biocombustíveis sobre o mercado regional de grãos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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