Cooperativas devem reforçar o hedge das posições físicas
Agrolink - Leonardo Gottems
A alta do trigo ganhou força no mercado internacional e doméstico, mas o avanço recente dos preços também elevou o risco de correções no curto prazo, exigindo cautela nas decisões comerciais. Segundo análise da TF Agroeconômica, a orientação central para a cadeia é evitar apostas integrais em uma única direção e transformar a volatilidade em estratégia de proteção.
Para os agricultores, a recomendação é vender ou fixar apenas parte da produção nos níveis atuais, preservando outra parcela para eventual continuidade da alta. A consultoria também indica avaliar proteção para a safra futura por meio da CBOT dezembro de 2026, diante da diferença entre o equivalente de R$ 89,86 por saca no porto e cerca de R$ 74,98 por saca no mercado interno.
Cooperativas devem reforçar o hedge das posições físicas, realizar vendas de forma escalonada e acompanhar o basis brasileiro, buscando transformar a valorização de Chicago em margem efetivamente realizada. Para cerealistas, a estratégia indicada é combinar estoque físico com proteção na CBOT, comprando apenas quando a margem de carregamento justificar o risco e monitorando dólar, frete, prêmio, custo financeiro e basis regional.
Nos moinhos, o foco deve ser a proteção do custo de reposição. A recomendação é fazer compras escalonadas, cobrindo necessidades imediatas e antecipando parte das demandas futuras, sem depender de uma correção mais forte em Chicago. O cenário segue altista, sustentado principalmente pelas dificuldades logísticas no Mar Negro e pela menor disponibilidade brasileira, mas o mercado está tecnicamente esticado. Por isso, a gestão de risco passa a ser mais importante do que tentar acertar o topo ou o fundo dos preços.