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01-09-2026

Colheita de café chega a 97% no Brasil

A colheita de café da safra 2026/27 alcançou 97% da produção estimada no Brasil até 26 de agosto, avançando três pontos percentuais em uma semana. Apesar da proximidade do encerramento dos trabalhos, o ritmo permanece abaixo do observado no ano passado e ligeiramente atrasado em relação à média histórica.

Os dados são da Safras & Mercado e mostram que a colheita do café conilon e robusta já foi concluída no país. No arábica, as operações atingiram 96% da produção prevista, após uma evolução de cinco pontos percentuais na comparação semanal.

No Cerrado Mineiro, entretanto, o índice chegou a 93% até 28 de agosto. A ocorrência de chuvas elevou a umidade nas lavouras e passou a dificultar principalmente o recolhimento do café caído no chão, uma das atividades prioritárias nesta fase final da safra.

Colheita de café permanece atrasada no Brasil

Segundo o analista e consultor Gil Barabach, da Safras & Mercado, os trabalhos seguem atrasados na comparação com 2025, quando a colheita já estava concluída no mesmo período.

O índice nacional de 97% também ficou abaixo da média dos últimos cinco anos, de 98%. Ainda assim, o avanço semanal confirma a aproximação do fim das operações nas principais regiões produtoras.

A colheita do conilon e robusta foi integralmente finalizada, enquanto o arábica alcançou 96%. Essa variedade concentra os trabalhos remanescentes e responde pela maior parte das atividades ainda em andamento nas propriedades.

Cerrado Mineiro alcança 93% da colheita de arábica

Entre os cooperados da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), a colheita do café arábica atingiu 93% da produção prevista até 28 de agosto. No mesmo período da temporada anterior, quando a safra foi menor, o percentual chegava a 95%.

Do volume colhido, 77% já havia passado pelo beneficiamento. O rendimento médio foi calculado em 490 litros de café colhido para a obtenção de uma saca beneficiada de 60 quilos.

Com a safra na fase final, as propriedades concentram esforços na conclusão das operações de campo e, sobretudo, no recolhimento dos frutos que caíram ao solo.

Café caído no chão exige atenção dos produtores

O acompanhamento realizado pelos técnicos da Expocacer indica que aproximadamente 30% do café desta safra caiu no chão em decorrência das chuvas. Desse volume, cerca de 54% já havia sido recolhido.

A colheita de chão tornou-se, portanto, uma das principais atividades a serem intensificadas pelos produtores assim que as condições meteorológicas permitirem.

A permanência prolongada dos frutos em contato com o solo e sob elevada umidade pode provocar fermentações indesejadas, aumentar a incidência de defeitos e comprometer a qualidade final da bebida.

O percentual médio de catação dos lotes recebidos pela cooperativa permanece acima de 20%. O resultado está associado, principalmente, à maior participação do café proveniente do chão.

Chuvas interrompem operações mecanizadas

Depois de um período prolongado de tempo seco, o Cerrado Mineiro registrou chuvas mais expressivas, com acumulados variando entre 5 e 29 milímetros, dependendo da localidade.

O aumento da umidade interferiu no ritmo das operações, especialmente no recolhimento mecanizado dos frutos caídos. Em algumas áreas, os trabalhos precisaram ser interrompidos ou adiados.

Também foram registrados casos em que o café já enleirado — agrupado no solo para facilitar a retirada — precisou ser novamente espalhado para secagem antes do recolhimento. A possibilidade de novas precipitações pode dificultar ainda mais esse processo.

A recomendação técnica é aproveitar todas as janelas de tempo seco para avançar com a colheita de chão, reduzindo o período de exposição dos grãos à umidade e os riscos de perda de qualidade.

Florada antecipada aumenta preocupação nas lavouras

As chuvas também estimularam o aparecimento de botões florais e de floradas em algumas lavouras. O fenômeno exige acompanhamento cuidadoso porque pode influenciar o desenvolvimento da próxima safra.

Nas áreas irrigadas, os produtores devem ajustar o manejo conforme a umidade do solo, a evapotranspiração e as características de cada talhão. O objetivo é manter uma disponibilidade hídrica adequada e diminuir possíveis perdas na florada e no pegamento dos frutos.

Além da conclusão da colheita, os cuidados com a irrigação e a sanidade das lavouras devem ser mantidos para favorecer o desenvolvimento do próximo ciclo produtivo.

Previsão de novas chuvas mantém setor em alerta

A previsão de novas precipitações, com maior probabilidade a partir de 2 de setembro, mantém os cafeicultores atentos no Cerrado Mineiro.

As temperaturas máximas devem variar entre 29°C e 32°C, enquanto as mínimas podem oscilar de 11°C a 17°C, preservando a tendência de noites e manhãs mais amenas.

Nesse cenário, a prioridade é concluir os trabalhos pendentes e acelerar o recolhimento do café de chão sempre que o clima permitir. Ao mesmo tempo, será necessário monitorar a evolução das floradas, a umidade das áreas e as condições fitossanitárias que podem influenciar a safra seguinte.

Fonte: Portal do Agronegócio

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