ABIEC afirma que setor já adotou protocolo sobre antimicrobianos e aguarda reinclusão do Brasil na lista de países autorizados.
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) trabalha pela retomada das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia, após a suspensão das compras do bloco, que entra em vigor nesta quinta-feira (03). A entidade afirma que as garantias oficiais exigidas pelas autoridades europeias já foram apresentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e que o setor privado vem adotando medidas para atender às novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos.
A União Europeia decidiu suspender, a partir de 3 de setembro, as importações de carnes brasileiras devido à falta de garantias consideradas suficientes pelo bloco sobre o cumprimento das normas europeias para o uso de antimicrobianos na produção animal. A medida alcança carne bovina e outros produtos de origem animal.
Em posicionamento divulgado nesta quarta-feira (02), a ABIEC informou que acompanha as negociações conduzidas pelo governo brasileiro e presta suporte técnico ao Mapa. Segundo a entidade, os esforços estão concentrados na reinclusão do Brasil entre os países autorizados a exportar para o mercado europeu.
Como parte da iniciativa privada, ABIEC, Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) desenvolveram um protocolo de controle sobre o uso de antimicrobianos. De acordo com a ABIEC, o protocolo integra as garantias oficiais apresentadas pelo Brasil e já está em execução junto à cadeia produtiva.
A associação afirma ainda que 100% das empresas associadas à ABIEC e habilitadas a exportar para a União Europeia aderiram ao protocolo. Para a entidade, a exigência europeia tem caráter regulatório e não altera a qualidade, a segurança ou o status sanitário da carne bovina brasileira, produto que, segundo a associação, é comercializado em mais de 170 mercados.
Mercado de alto valor
A União Europeia é considerada um mercado estratégico para a carne bovina brasileira, principalmente pelo valor agregado e pelo perfil dos cortes comercializados. No primeiro semestre de 2026, o bloco importou 51,2 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 452,3 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 18,2% no volume e de 53,5% na receita.
A ABIEC ressalta que a carne brasileira continuará sendo direcionada aos mercados para os quais o país permanece habilitado, mas pondera que os destinos não são automaticamente substituíveis. Isso ocorre porque cada mercado possui demanda específica por produtos e cortes.
A suspensão, portanto, ocorre em um momento de forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina. No acumulado de janeiro a junho, o Brasil embarcou 1,705 milhão de toneladas e obteve receita de US$ 9,85 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela ABIEC.
Diante desse cenário, a entidade afirma que a prioridade é contribuir para o restabelecimento do comércio com a União Europeia no menor prazo possível, mantendo a diversificação dos destinos e a presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.
Leia na íntegra o posicionamento da ABIEC
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) vê com preocupação a interrupção das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia. Desde que as novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos foram comunicadas, a entidade vem atuando em conjunto com os demais elos da cadeia produtiva e prestando todo o suporte técnico ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), autoridade sanitária brasileira responsável pela condução das tratativas com as autoridades europeias. Neste momento, os esforços estão concentrados na reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco, uma vez que as garantias oficiais do Mapa já foram apresentadas. A ABIEC acompanha as negociações, conduzidas em âmbito governamental, e segue fornecendo os subsídios técnicos necessários para que o fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível.
No que coube à iniciativa privada, foi realizada a construção do protocolo privado de controle sobre o uso de antimicrobianos, desenvolvido pela ABIEC, pela Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O protocolo, que faz parte das garantias oficiais brasileiras, já está em processo de execução junto à cadeia, sendo que 100% das empresas associadas à ABIEC e habilitadas ao mercado europeu estão aderidas. Trata-se de um requisito regulatório de mercado, estabelecido pelo bloco para seus fornecedores, que não altera a qualidade, a segurança ou o status sanitário da carne bovina brasileira, reconhecida em mais de 170 mercados atendidos pelo país.
A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados. A carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos. Por isso, a prioridade da ABIEC é contribuir para que esse fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível, preservando a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira.
Fonte: Assessoria ABIEC