A soja brasileira pode encontrar dificuldades para acompanhar eventuais altas nas cotações internacionais durante a safra 2026/27. O cenário é influenciado principalmente pelo comportamento do basis — diferença entre o preço praticado no mercado brasileiro e a referência internacional — e pela maior competitividade da soja norte-americana nos próximos meses.
Apesar da valorização dos contratos futuros em Chicago, parte desse movimento vem sendo compensada por prêmios mais baixos no Brasil. Com isso, o potencial de recuperação dos preços recebidos pelos produtores brasileiros permanece limitado.
A diferença entre os prêmios de exportação ajuda a explicar o cenário. No Golfo dos Estados Unidos, os valores estão entre US$ 1 e US$ 1,15 por bushel, enquanto no Brasil permanecem próximos de US$ 1,50 a US$ 1,60 por bushel. Esse diferencial torna a soja norte-americana mais competitiva para os compradores internacionais.
A vantagem dos Estados Unidos tende a ganhar importância no período em que as exportações brasileiras começam a perder ritmo. Além da China, outros importadores também podem direcionar parte da demanda para a soja norte-americana diante das condições mais favoráveis de preço.
Produção nos Estados Unidos
O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), atualizado em agosto com base em levantamentos de campo, elevou a estimativa para a produção norte-americana de soja. A projeção passou de 122 milhões de toneladas (Mt), em julho, para 123 Mt.
O aumento ocorreu mesmo com uma redução na estimativa de produtividade e foi sustentado pela ampliação da área cultivada. O processamento doméstico maior, por sua vez, ajudou a limitar o crescimento dos estoques finais, que permaneceram próximos das expectativas do mercado.
O USDA também revisou para cima as projeções de produção de farelo e óleo de soja. As alterações refletem uma demanda maior das indústrias de processamento e do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos.
No mercado internacional, as mudanças nas estimativas foram pontuais. Houve aumento da previsão para a produção brasileira e redução da safra argentina referente à temporada anterior. Para a nova safra, as projeções de produção de China, Brasil e Argentina permaneceram praticamente estáveis.
Impacto no produtor brasileiro
O comportamento do basis deve continuar sendo um dos principais fatores de pressão sobre os preços da soja brasileira na safra 2026/27. Mesmo que Chicago mantenha uma trajetória de valorização, a redução dos prêmios no mercado brasileiro pode impedir que esse movimento seja repassado integralmente ao produtor.
A expectativa de uma ampla oferta sul-americana e a disputa por competitividade no mercado internacional estão entre os fatores que contribuem para esse cenário. Com a soja brasileira disponível em menor volume e os Estados Unidos apresentando condições mais competitivas, o mercado tende a limitar uma recuperação mais expressiva dos preços domésticos.
Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA