O mercado do boi gordo começou setembro com recuperação das cotações nas principais praças pecuárias do país. Em São Paulo, a firmeza dos pecuaristas e a necessidade de abastecimento de parte dos frigoríficos abriram espaço para reajustes nas ofertas de compra.
Nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, a referência para o boi gordo em São Paulo estava em R$ 341 por arroba no mercado físico. O valor representa avanço de 0,9% em relação à cotação anterior e alta acumulada de 0,6% em sete dias.
O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, principal referência para os negócios paulistas, encerrou a terça-feira (1º) em R$ 346 por arroba à vista, valorização diária de 0,46%. No último pregão de agosto, o indicador estava em R$ 344,40 por arroba. Confira o histórico do Indicador Cepea/Esalq.
Pecuaristas firmes limitam oferta de boi gordo
A recuperação ocorre depois de um encerramento de agosto marcado por pressão sobre os preços. Na virada do mês, compradores elevaram as ofertas para recompor estoques e manter as programações de abate.
Em São Paulo, a cotação do boi gordo avançou R$ 3 por arroba na comparação diária, enquanto o chamado “boi China” registrou aumento de R$ 1 por arroba. Os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis.
A oferta de animais terminados continuou controlada. Pecuaristas resistiram a negociar em patamares muito inferiores às referências pretendidas, reduzindo a margem dos frigoríficos para pressionar as cotações.
Embora as ofertas ainda permanecessem abaixo dos valores solicitados pelos vendedores, a diferença diminuiu e permitiu a retomada de alguns negócios. As escalas de abate atendiam, em média, a nove dias.
Segundo levantamento da Scot Consultoria referente a 1º de setembro, o boi gordo em Barretos e Araçatuba estava cotado a R$ 341 por arroba à vista e a R$ 345 para pagamento em 30 dias. Veja as cotações do boi gordo.
Boi gordo também sobe em Mato Grosso do Sul
O mercado pecuário de Mato Grosso do Sul também apresentou firmeza no início de setembro. Os reajustes ficaram concentrados na região de Dourados, enquanto Campo Grande e Três Lagoas registraram estabilidade.
Em Dourados, o preço do boi gordo aumentou R$ 2 por arroba e a novilha avançou R$ 3 por arroba. A cotação da vaca permaneceu inalterada.
O “boi China” também subiu R$ 2 por arroba. O ágio sobre o animal destinado ao mercado externo ficou em R$ 2 por arroba em Campo Grande e em R$ 5 por arroba em Três Lagoas. Em Dourados, não houve ágio.
Na atualização de 2 de setembro, a referência geral do boi gordo em Mato Grosso do Sul estava em R$ 336 por arroba.
Mercado futuro mantém arroba acima do físico
Os contratos futuros do boi gordo seguem negociados acima das referências do mercado físico, indicando expectativa de preços firmes para o restante de 2026.
No fechamento de terça-feira (1º), o contrato para setembro terminou cotado a R$ 356,10 por arroba, queda de 0,43%. O vencimento de outubro encerrou a R$ 367,90, enquanto novembro ficou em R$ 371,65 e dezembro em R$ 372,15 por arroba.
Na manhã desta quarta-feira (2), o contrato de setembro era negociado próximo de R$ 356,50 por arroba, com valorização intradiária de aproximadamente 0,15%.
A diferença positiva entre os contratos futuros e o mercado físico reforça a expectativa de valorização da arroba nos próximos meses, período em que a oferta de animais terminados tende a ficar mais ajustada.
Contrato de agosto encerrou próximo dos indicadores físicos
O contrato futuro do boi gordo com vencimento em agosto de 2026 foi liquidado no último dia útil do mês. O valor ficou próximo das principais referências do mercado físico paulista, confirmando a convergência característica do encerramento do contrato.
O resultado também mostrou que, apesar das oscilações registradas ao longo de agosto, a arroba permaneceu sustentada na faixa de R$ 344 no encerramento do período.
Oferta de gado e demanda dos frigoríficos seguem no radar
A sustentação do boi gordo dependerá, nos próximos dias, do comportamento da oferta de animais terminados e da necessidade de compra das indústrias frigoríficas.
Escalas relativamente confortáveis podem limitar reajustes mais intensos. Entretanto, a resistência dos pecuaristas e a disponibilidade controlada de gado para abate devem dificultar quedas expressivas no curto prazo.
O mercado também acompanha o ritmo das exportações brasileiras de carne bovina, os preços no atacado e o desempenho do consumo doméstico. Esses fatores serão determinantes para definir se a recuperação observada na abertura de setembro ganhará força nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio