O mercado de açúcar começou setembro em alta nas principais bolsas internacionais, sustentado pela perspectiva de redução da oferta mundial na temporada 2026/27. As novas projeções indicam que o setor poderá passar de um cenário de superávit para déficit, aumentando a preocupação dos investidores com a disponibilidade do produto.
Além dos ganhos registrados em Nova York e Londres, o movimento positivo alcançou o mercado brasileiro. O açúcar cristal branco apresentou valorização em São Paulo, enquanto o etanol hidratado negociado em Paulínia também ficou mais caro no primeiro pregão do mês.
Açúcar bruto avança na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures U.S., os contratos futuros do açúcar bruto encerraram a terça-feira (1º) com ganhos expressivos.
O vencimento outubro de 2026 subiu 0,55 centavo de dólar e fechou cotado a 18,36 cents por libra-peso. O contrato março de 2027 avançou 0,50 centavo, alcançando 19,33 cents por libra-peso.
Já o vencimento maio de 2027 ganhou 0,40 centavo, encerrando a sessão a 18,73 cents por libra-peso. As demais posições também fecharam em alta, com avanços entre 0,12 e 0,31 centavo, conforme informações da plataforma CZ App.
O desempenho reflete a maior atenção dos operadores às estimativas de produção e consumo para o próximo ciclo global.
Açúcar branco registra forte valorização em Londres
Na ICE Futures Europe, o movimento de alta foi ainda mais intenso. O contrato outubro de 2026 do açúcar branco avançou US$ 19,60, terminando o pregão cotado a US$ 534 por tonelada.
O vencimento dezembro de 2026 subiu US$ 12,80, para US$ 533,10 por tonelada. Março de 2027 apresentou valorização de US$ 12,90 e fechou a US$ 535,90 por tonelada.
Os demais contratos negociados em Londres também encerraram a sessão no campo positivo, confirmando a força compradora no mercado internacional de açúcar.
Açúcar cristal acompanha alta externa no Brasil
O mercado físico brasileiro acompanhou a valorização observada no exterior. Em São Paulo, o Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ fechou a R$ 114,51 por saca de 50 quilos.
A cotação representou alta diária de 0,67%. Como o resultado corresponde ao primeiro pregão de setembro, o indicador também acumula valorização de 0,67% no mês. Convertida para a moeda norte-americana, a referência ficou em US$ 22,23 por saca.
O avanço internacional tende a reforçar a competitividade das exportações brasileiras e pode influenciar as decisões das usinas sobre a destinação da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar ou de etanol.
Etanol hidratado também inicia setembro em alta
O etanol hidratado registrou valorização no mercado paulista. O Indicador Diário do Etanol Hidratado de Paulínia encerrou a terça-feira cotado a R$ 2.491,50 por metro cúbico.
O preço avançou 0,85% no dia e passou a acumular o mesmo percentual de alta em setembro. O movimento reforça o início positivo do mês para os principais produtos do setor sucroenergético.
Déficit global de açúcar sustenta as cotações
O principal fator de suporte para os preços foi a nova estimativa da Organização Internacional do Açúcar (ISO) para a temporada 2026/27.
A entidade projeta que o mercado mundial passe de um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26 para um déficit de aproximadamente 200 mil toneladas no ciclo seguinte. A produção global deverá recuar para 180,1 milhões de toneladas.
A perspectiva de menor disponibilidade aumenta a sensibilidade das cotações às condições climáticas nos principais países produtores. Entre os riscos monitorados estão os possíveis efeitos do El Niño sobre as lavouras de cana-de-açúcar da Índia e da Tailândia.
Esses países ocupam posições relevantes na produção e no comércio internacional. Eventuais perdas agrícolas poderiam reduzir ainda mais a oferta mundial e ampliar o déficit projetado.
Produção recorde ainda limita altas no curto prazo
Apesar da previsão de aperto em 2026/27, a oferta mundial permanece elevada na temporada atual. Para 2025/26, a ISO estima uma produção recorde de 182 milhões de toneladas e superávit de 1,1 milhão de toneladas.
Esse volume pode limitar movimentos mais intensos de valorização no curto prazo. Entretanto, a transição para um possível déficit mantém o mercado atento ao clima, ao desempenho das safras asiáticas e ao ritmo da produção brasileira.
Com a combinação entre redução da oferta projetada, riscos climáticos associados ao El Niño e valorização do açúcar cristal no Brasil, o setor sucroenergético inicia setembro sob perspectiva de maior sustentação dos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio