O mercado brasileiro de café inicia esta quinta-feira (3) sob pressão, com perspectiva de novas quedas nos preços das principais variedades negociadas no País. A desvalorização do arábica na Bolsa de Nova York e o recuo do dólar diante do real limitam a formação das cotações domésticas e mantêm os produtores cautelosos.
A tendência é de um dia com menor liquidez. Diante dos referenciais desfavoráveis, vendedores devem restringir a oferta e aguardar uma reação do mercado internacional ou do câmbio antes de retomar as negociações em maior volume.
Café arábica cai até R$ 50 por saca em Minas Gerais
Na quarta-feira (2), os preços do café registraram forte recuo nas principais regiões produtoras do Brasil. O movimento acompanhou as perdas do arábica em Nova York, do robusta em Londres e da moeda norte-americana.
No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, com 15% de catação e da safra nova, foi negociado entre R$ 1.700 e R$ 1.705 por saca de 60 quilos. Na sessão anterior, os valores variavam de R$ 1.750 a R$ 1.755.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também com 15% de catação, recuou para a faixa de R$ 1.710 a R$ 1.715 por saca. Anteriormente, o produto era cotado entre R$ 1.760 e R$ 1.765.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica rio tipo 7, da safra 2026 e com 20% de catação, passou a valer entre R$ 1.290 e R$ 1.295 por saca, ante R$ 1.330 a R$ 1.335 no levantamento anterior.
Preço do café conilon também registra queda
O mercado de café conilon acompanhou a pressão negativa observada no arábica. Em Vitória, no Espírito Santo, o conilon tipo 7 da safra 2026 foi cotado entre R$ 980 e R$ 985 por saca, abaixo dos R$ 1.000 a R$ 1.005 registrados anteriormente.
O conilon tipo 7/8 foi negociado entre R$ 970 e R$ 975 por saca. Na comparação diária, a faixa anterior estava entre R$ 990 e R$ 995.
A combinação entre queda nos preços internacionais e retração do dólar reduziu a competitividade das cotações internas e afastou vendedores do mercado.
Café rompe barreira dos 300 cents em Nova York
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do café arábica encerraram a quarta-feira em forte baixa. O vencimento dezembro de 2026 caiu 11,45 centavos, ou 3,7%, e fechou a 298,10 centavos de dólar por libra-peso.
O contrato março de 2027 terminou a sessão cotado a 287,85 centavos por libra-peso, com desvalorização de 9,80 centavos, equivalente a 3,3%.
A queda levou o contrato mais negociado aos menores níveis em quase dois meses. O rompimento da marca técnica e psicológica de 300 centavos por libra-peso intensificou as vendas e reforçou o movimento baixista.
Nesta quinta-feira, a pressão continua. O vencimento dezembro de 2026 opera em baixa de 1,42%, negociado ao redor de 293,85 centavos de dólar por libra-peso.
Maior oferta brasileira pressiona as cotações
A expectativa de aumento da disponibilidade de café no mercado internacional está entre os principais fatores de pressão sobre os contratos futuros.
Com a conclusão da colheita brasileira, o setor projeta uma aceleração dos embarques nos últimos meses de 2026. O avanço das exportações do Brasil poderá ampliar a oferta mundial e reduzir as preocupações com o abastecimento no médio prazo.
Estimativas de entidades do setor também indicam a possibilidade de um superávit global entre 9 milhões e 10 milhões de sacas na temporada 2026/27. Caso esse volume seja confirmado, o excedente poderá manter as cotações internacionais sob pressão.
Estoques certificados permanecem em nível reduzido
Apesar da expectativa de maior oferta, os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da ICE Futures continuam baixos.
Em 2 de setembro de 2026, os estoques somavam 223.762 sacas de 60 quilos, redução de 149 sacas em relação ao dia anterior.
O volume limitado funciona como fator de sustentação para os preços e pode restringir movimentos mais intensos de queda, especialmente diante de eventuais problemas climáticos nas regiões produtoras.
Clima e El Niño entram no radar da safra 2027
Além da oferta, o mercado acompanha as condições climáticas no Brasil para a formação da safra de café de 2027. A atenção está concentrada no retorno das chuvas e no desenvolvimento das floradas.
As previsões indicam possibilidade de precipitações em setembro, condição necessária para estimular a abertura das flores e favorecer a próxima produção. No entanto, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas associadas ao El Niño permanecem como fatores de risco.
Períodos prolongados de calor ou falta de umidade após as floradas podem comprometer o pegamento dos frutos e reduzir o potencial produtivo das lavouras.
Dólar em queda amplia pressão sobre o preço do café
O dólar comercial recua 0,67%, cotado próximo de R$ 5,0720. Já o Dollar Index, que mede o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de divisas, cai 0,49%, aos 99,100 pontos.
A desvalorização do dólar exerce pressão adicional sobre o preço do café no Brasil. Como as exportações são negociadas na moeda norte-americana, um câmbio mais baixo reduz a conversão das receitas para reais e limita a remuneração oferecida ao produtor.
Nesse cenário, o mercado físico tende a permanecer travado. A retomada dos negócios dependerá de uma recuperação das bolsas internacionais, de uma reação do dólar ou de uma maior necessidade de venda por parte dos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio