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03-09-2026

Soja recua em Chicago e mercado brasileiro fica dividido

O mercado da soja atravessa uma sessão de forte volatilidade, pressionado pela queda dos contratos futuros na Bolsa de Chicago e pelas incertezas climáticas que cercam o início da safra brasileira 2026/27. Enquanto as cotações internacionais recuam com realização de lucros e possível redução do prêmio de risco geopolítico, os preços no Brasil apresentam movimentos distintos entre portos e principais regiões produtoras.

No mercado físico brasileiro, referências portuárias registraram valorização, mas algumas praças do interior fecharam em queda. A proximidade da semeadura também aumenta a atenção dos produtores sobre a regularidade das chuvas, os custos de produção e as condições de armazenagem.

Soja despenca em Chicago com liquidação de posições

Os contratos futuros da soja ampliaram as perdas nesta quinta-feira (3) na Bolsa de Chicago. Por volta das 7h50, no horário de Brasília, as posições mais negociadas recuavam entre 11 e 14,75 pontos.

O vencimento novembro era cotado a US$ 12,99 por bushel, enquanto o contrato março operava próximo de US$ 13,19 por bushel. A baixa ocorre após a forte valorização acumulada recentemente e reflete uma combinação de realização de lucros, pressão técnica e mudanças na percepção sobre os riscos de oferta no mercado internacional.

O movimento negativo atingiu todo o complexo de grãos. Os futuros do milho perdiam mais de 11 pontos, enquanto o trigo liderava as quedas, com recuo próximo de 30 pontos nos principais contratos.

Café, açúcar e algodão também operavam em forte baixa na Bolsa de Nova York, reforçando o movimento generalizado de ajuste das commodities agrícolas.

Queda do óleo e do farelo aumenta pressão sobre a soja

A desvalorização dos derivados intensificou a pressão sobre os contratos da oleaginosa. O óleo de soja caía mais de 1,5%, reduzindo o suporte oferecido ao grão e devolvendo parte dos ganhos registrados nas sessões anteriores.

O farelo de soja também recuava, acompanhando a liquidação de posições no mercado agrícola. Mesmo com a valorização do petróleo, os investidores diminuíram as expectativas de que o setor energético pudesse sustentar, no curto prazo, uma nova rodada de alta para os óleos vegetais.

Esse desempenho dos derivados é particularmente relevante porque óleo e farelo influenciam diretamente as margens de esmagamento e, consequentemente, a demanda das indústrias processadoras pela soja em grão.

Possível acordo entre Rússia e Ucrânia reduz prêmio de risco

A possibilidade de avanços diplomáticos entre Rússia e Ucrânia também contribuiu para a queda das commodities. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que existe espaço para um acordo de paz, embora tenha reconhecido que a retomada das negociações permanece difícil.

As declarações levaram parte dos participantes do mercado a retirar posições de proteção construídas diante do agravamento das tensões no Mar Negro. Essa mudança foi sentida principalmente no trigo, commodity mais exposta aos riscos logísticos e comerciais da região.

Apesar da sinalização diplomática, não há acordo de paz nem cessar-fogo amplo em vigor. Os ataques continuam, e a segurança da navegação e das exportações pelo Mar Negro permanece como um importante fator de risco para o mercado mundial de grãos.

Trigo sente com mais força expectativa de distensão

A possibilidade de redução das tensões geopolíticas tem impacto direto sobre o trigo. Nas sessões anteriores, a commodity havia acumulado fortes valorizações diante das ameaças à infraestrutura portuária e às embarcações ligadas ao comércio agrícola russo e ucraniano.

A insegurança levou importadores asiáticos a procurar fornecedores alternativos. Segundo informações atribuídas à Reuters, ao menos 500 mil toneladas de trigo da Austrália e da Argentina teriam sido adquiridas para compensar atrasos envolvendo cargas originadas na região do Mar Negro.

O movimento indica que os problemas logísticos ainda não foram superados. Embora as declarações favoráveis ao diálogo reduzam momentaneamente o prêmio de risco, a normalização dos fluxos dependerá de medidas concretas que garantam segurança às operações comerciais.

Mercado brasileiro de soja tem preços mistos

No Brasil, o mercado físico apresentou comportamento dividido entre as principais regiões produtoras. De acordo com a TF Agroeconômica, houve valorização em alguns portos e praças do interior, estabilidade no balcão e quedas pontuais.

No Rio Grande do Sul, a soja foi indicada a R$ 160 por saca no porto de Rio Grande. Em Não-Me-Toque e Nonoai, as referências avançaram para R$ 138 por saca.

O mercado gaúcho também acompanha a estimativa da Emater/RS-Ascar para a safra 2026/27. A projeção aponta cultivo de 6,645 milhões de hectares, redução de 0,92% na comparação anual. A produção, entretanto, poderá chegar a 21,151 milhões de toneladas, crescimento de 15,32%.

A recuperação esperada depende principalmente de melhores condições climáticas e do avanço da produtividade, já que não está baseada na expansão da área plantada.

Excesso de umidade preocupa produtores gaúchos

Os relatos de alagamentos em lavouras de trigo e canola aumentam a cautela no Rio Grande do Sul. O excesso de umidade pode comprometer culturas de inverno e interferir na janela de semeadura da soja.

A previsão de crescimento da produção gaúcha, portanto, está condicionada à regularização do clima durante a implantação e o desenvolvimento das lavouras. Qualquer atraso no plantio ou problema no estabelecimento inicial poderá exigir revisão das projeções.

Paranaguá sobe, mas interior do Paraná registra queda

Em Santa Catarina, os preços de balcão permaneceram estáveis. Em Abelardo Luz, porém, a referência FOB alcançou R$ 157 por saca, abrindo diferença de até R$ 18,50 em relação a algumas indicações locais.

No Paraná, o porto de Paranaguá registrou valorização de 0,28%, com a soja negociada a R$ 159 por saca, mesmo diante do recuo do dólar. Em Castro, o movimento foi contrário: a cotação caiu 1,32%, para R$ 149 por saca.

A diferença entre os preços mostra que fatores regionais, como disponibilidade de produto, logística, demanda das indústrias e necessidade de originação, continuam influenciando as negociações.

Soja tem forte alta pontual em Mato Grosso

Mato Grosso também apresentou movimentos distintos. Em Tangará da Serra, a cotação subiu 5,26%, alcançando R$ 140 por saca. Campo Novo do Parecis registrou avanço de 5,34%, para R$ 138 por saca.

Outras regiões mato-grossenses, entretanto, corrigiram parte das valorizações anteriores. Mesmo com o fim do vazio sanitário previsto para 6 de setembro, o início do plantio não deverá ocorrer automaticamente.

Os produtores aguardam chuvas regulares e umidade adequada no solo antes de avançarem com as semeadoras. A irregularidade das precipitações pode elevar o risco de replantio e aumentar os custos da safra.

Mato Grosso do Sul enfrenta pressão sobre preços e armazenagem

Em Mato Grosso do Sul, a sessão foi mais fraca, com quedas nas principais praças. Além do comportamento das cotações internacionais e do câmbio, o mercado regional monitora a preparação das áreas, os preços dos fertilizantes e a disponibilidade de armazenagem.

A elevada ocupação dos silos pode dificultar a comercialização e o recebimento da próxima safra, especialmente nas propriedades e regiões que ainda mantêm volumes expressivos de milho.

Clima será decisivo para os preços da soja

O cenário da soja reúne fatores de pressão e sustentação. No exterior, a realização de lucros, a queda dos derivados e a possibilidade de redução das tensões no Mar Negro favorecem novas correções em Chicago.

No Brasil, os preços portuários ainda encontram suporte na demanda, nos prêmios de exportação e nas condições regionais de oferta. Entretanto, a queda do dólar pode limitar o repasse das cotações internacionais para o mercado doméstico.

Nas próximas semanas, o clima deverá assumir papel ainda mais importante. A regularidade das chuvas no Centro-Oeste e no Sul será determinante para o ritmo de plantio, o potencial produtivo da safra 2026/27 e as decisões de comercialização dos produtores brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

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