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10-09-2026

Chuvas favorecem floradas do café no Brasil e pressionam preços do arábica em Nova York

Precipitações melhoram o pegamento das flores e o desenvolvimento dos chumbinhos, enquanto perspectivas mais favoráveis para a próxima safra e realização de lucros provocam quedas superiores a 2% na Bolsa de Nova York

A chegada das chuvas às principais regiões produtoras de café do Brasil renovou as expectativas para a próxima safra e aumentou a pressão sobre as cotações internacionais. Nesta quinta-feira (10), os contratos futuros do arábica registraram perdas superiores a 2% na Bolsa de Nova York, refletindo a melhora das condições climáticas e um movimento de realização de lucros por fundos de investimento.

O clima mais úmido observado no início de setembro beneficia lavouras de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Em algumas áreas produtoras de robusta e conilon, já foi registrada uma abertura mais expressiva das flores. Nas regiões de arábica, a expectativa é de intensificação das floradas nos próximos dias.

Chuvas melhoram perspectivas para a próxima safra de café

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as precipitações recentes criaram condições mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras brasileiras.

No caso do conilon, além de estimular novas floradas, a umidade contribui para o pegamento das flores e para o desenvolvimento dos chumbinhos formados anteriormente. Esse processo é determinante para a definição do potencial produtivo da próxima colheita.

Para o café arábica, os mapas meteorológicos indicam o avanço de frentes frias acompanhadas por volumes relevantes de chuva sobre importantes cinturões produtores. Caso as precipitações apresentem boa distribuição e regularidade, poderão favorecer a formação dos frutos.

Apesar da melhora inicial, o desempenho da safra ainda dependerá da continuidade das chuvas, das temperaturas e das condições das lavouras ao longo dos próximos meses. A abertura das flores, isoladamente, não garante elevada produtividade.

Café arábica cai mais de 2% em Nova York

A perspectiva de recuperação da umidade nas regiões cafeeiras brasileiras provocou perdas acentuadas nos contratos futuros do arábica. Por volta das 7h55, no horário de Brasília, os vencimentos mais negociados recuavam entre 2,3% e 2,87%.

O contrato para dezembro retornou à faixa de 284 centavos de dólar por libra-peso, enquanto março de 2027 era negociado próximo de 276,45 centavos por libra-peso.

O Brasil ocupa posição central na formação dos preços globais por ser o maior produtor e exportador mundial de café. Dessa forma, qualquer mudança relevante nas previsões de chuva para o País tende a provocar forte reação na Bolsa de Nova York.

Fundos realizam lucros após valorização do café

Além das condições climáticas, o recuo foi ampliado pela realização de lucros dos fundos de investimento. Após a escalada recente das cotações, participantes financeiros reduziram posições diante do menor temor relacionado à seca nas áreas produtoras brasileiras.

Esse comportamento reforçou a volatilidade do café e manteve os produtores cautelosos na comercialização. Com oscilações expressivas em intervalos curtos, muitos cafeicultores evitam assumir novos compromissos enquanto aguardam maior clareza sobre o clima e a direção dos preços.

Maior oferta brasileira também limita as cotações

No mercado físico, a colheita brasileira praticamente encerrada ampliou a disponibilidade de café. A combinação entre maior oferta, evolução das floradas e expectativa climática mais favorável contribuiu para a desvalorização recente dos cafés arábica e robusta, conforme análise do Cepea.

As atenções passam gradualmente da safra recém-colhida para o ciclo seguinte. O mercado acompanhará principalmente a regularidade das precipitações e a capacidade das plantas de sustentar as flores e os frutos após o período de estresse hídrico.

Estoques reduzidos ainda dão suporte ao mercado

Embora as chuvas tenham provocado uma correção expressiva nos preços, o cenário internacional mantém fatores capazes de limitar quedas mais profundas. Entre eles estão os estoques certificados de café na ICE, que permanecem em níveis historicamente reduzidos.

Assim, o mercado cafeeiro deve continuar volátil. De um lado, as chuvas no Brasil e a entrada da produção recém-colhida pressionam as cotações. Do outro, os baixos estoques internacionais e as incertezas sobre o volume efetivamente disponível oferecem sustentação aos preços.

Para os cafeicultores, o momento exige atenção ao clima, ao câmbio e às bolsas internacionais. A melhora das floradas eleva o otimismo produtivo, mas ainda será necessário acompanhar o pegamento e o desenvolvimento dos frutos para estimar com maior segurança o potencial da próxima safra brasileira de café.

Fonte: Portal do Agronegócio

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