O dólar comercial abriu em alta nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e o aumento da aversão ao risco nos mercados globais. A escalada das tensões no Oriente Médio, a valorização do petróleo e a expectativa por novos dados de inflação nos Estados Unidos direcionam os negócios.
Por volta das 9h25, o dólar avançava 0,39% e era negociado a R$ 5,130. Na abertura, a moeda havia registrado valorização mais moderada, próxima de 0,14%, ao redor de R$ 5,119.
Na quarta-feira (9), a divisa americana encerrou o pregão com alta de aproximadamente 0,5%, cotada a R$ 5,11. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,93%, aos 185.629 pontos, na maior retração em cerca de quatro semanas.
Petróleo acima de US$ 100 amplia pressão sobre o câmbio
O movimento de alta do dólar é sustentado principalmente pela piora do ambiente internacional. O petróleo Brent, referência para o mercado mundial, avançava mais de 3% durante a manhã e chegou a superar US$ 104 por barril.
A valorização ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio e ao temor de novas interrupções no transporte e na oferta global de petróleo. A região concentra rotas estratégicas para o comércio internacional de energia, o que aumenta a volatilidade das commodities e dos ativos financeiros.
A alta do petróleo pode beneficiar ações de empresas brasileiras do setor, especialmente a Petrobras. Por outro lado, o encarecimento da energia reforça as preocupações com a inflação mundial, eleva os rendimentos dos títulos públicos e reduz o interesse dos investidores por moedas de países emergentes, como o real.
Inflação dos Estados Unidos pode definir próximos passos do Fed
Os investidores também aguardam indicadores importantes da economia norte-americana. Nesta quinta-feira, o foco recai sobre o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos, enquanto o índice de preços ao consumidor está previsto para sexta-feira (11).
Os números poderão alterar as expectativas para a próxima decisão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Uma inflação acima do esperado pode fortalecer as apostas em juros elevados por mais tempo — ou até em novo aperto monetário —, cenário que tende a valorizar o dólar internacionalmente.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano voltaram a subir, com o papel de dez anos próximo de 4,9%. Esse movimento aumenta a atratividade da renda fixa nos Estados Unidos e pode limitar o fluxo de capital destinado a mercados emergentes.
Ibovespa enfrenta cautela após recuar aos 185 mil pontos
A Bolsa brasileira inicia a sessão pressionada pelo ambiente externo mais adverso, mas encontra algum suporte na valorização do petróleo e na possibilidade de alta das ações da Petrobras.
Na véspera, o Ibovespa perdeu 1.737 pontos e encerrou aos 185.629 pontos. Bancos, varejistas e companhias ligadas à atividade doméstica ficaram entre as principais pressões negativas, enquanto Petrobras e algumas empresas exportadoras ajudaram a limitar a queda.
Mesmo com a retração de quarta-feira, o índice acumulava, até o último fechamento:
O desempenho da Bolsa nesta quinta-feira dependerá da combinação entre o avanço das ações ligadas ao petróleo, o comportamento dos juros futuros e o nível de aversão ao risco nos mercados internacionais.
Atividade econômica brasileira também entra no radar
No cenário doméstico, o mercado repercute os dados do setor de serviços. O volume de serviços ficou estável em julho, resultado que reforça os sinais de perda de ritmo da economia brasileira.
Uma desaceleração mais consistente da atividade pode ampliar as expectativas de redução da taxa Selic. Entretanto, a disparada do petróleo e a possibilidade de novas pressões inflacionárias externas dificultam uma queda mais rápida dos juros.
A curva de juros futuros abriu em alta, refletindo o avanço dos rendimentos dos títulos norte-americanos, a valorização da energia e o aumento da percepção de risco.
Bolsas globais operam sob pressão
Os mercados internacionais apresentam desempenho predominantemente negativo. Na Europa, as bolsas oscilam diante da decisão de política monetária do Banco Central Europeu e das preocupações com os efeitos do petróleo sobre a inflação.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros de Wall Street operam sem direção única, com maior pressão sobre as empresas de tecnologia. O Nasdaq futuro chegou a recuar cerca de 0,6%, enquanto os investidores reduzem posições de risco antes dos indicadores de inflação.
Na Ásia, os mercados também fecharam majoritariamente em baixa. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu aproximadamente 1,3%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,25%. O mercado japonês apresentou oscilação, igualmente influenciado pelos preços da energia e pelas perspectivas para os juros.
Dólar pode continuar volátil ao longo do dia
A tendência para o câmbio permanece condicionada ao comportamento do petróleo, dos juros norte-americanos e das notícias relacionadas ao Oriente Médio. Indicadores econômicos divulgados no Brasil e nos Estados Unidos também podem provocar mudanças rápidas nas cotações.
Caso o petróleo continue avançando e os rendimentos dos títulos americanos permaneçam elevados, o dólar poderá manter pressão de alta sobre o real. Uma melhora do ambiente internacional ou dados de inflação mais moderados, por outro lado, poderia favorecer uma recuperação da moeda brasileira.
Às 9h25 desta quinta-feira, o cenário do mercado financeiro era o seguinte:
As cotações são intradiárias e podem sofrer alterações ao longo do pregão.
Fonte: Portal do Agronegócio