Sexta-Feira, 11 de Outubro, 2026 Acesse nosso Instagram
10-09-2026

El Niño ameaça safra 2026/27

O fortalecimento do El Niño acendeu um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro às vésperas da safra 2026/27. Com possibilidade de mudanças expressivas no regime de chuvas, produtores precisam revisar o planejamento, avaliar as condições regionais e escolher materiais genéticos capazes de manter maior estabilidade em ambientes sujeitos ao déficit hídrico.

Relatório atualizado em agosto pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontou intensificação do fenômeno climático. A anomalia de temperatura chegou a 1,8 °C, indicando que a superfície do Oceano Pacífico Equatorial estava aproximadamente 1,8 °C acima da média.

O maior aquecimento é esperado entre meados da primavera e o início do verão de 2026/27, período que coincide com etapas decisivas do plantio e do desenvolvimento das lavouras brasileiras.

El Niño pode alcançar intensidade muito forte

As projeções indicam elevada probabilidade de o El Niño atingir a categoria de intensidade muito forte. Para o período entre outubro e dezembro de 2026, essa possibilidade chega a 95%.

Há ainda 69% de chance de o episódio ficar entre os mais intensos registrados desde 1950. Caso o cenário se confirme, os efeitos poderão variar significativamente entre as regiões agrícolas do Brasil.

No Matopiba — área formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, além da região Norte e de parte de Mato Grosso, o principal risco está relacionado à redução e à irregularidade das chuvas. A situação pode dificultar a implantação das lavouras, comprometer o estabelecimento inicial das plantas e aumentar a possibilidade de perdas durante fases críticas das culturas.

Planejamento da safra precisa considerar riscos regionais

Embora o El Niño tenha efeitos conhecidos sobre o clima brasileiro, seus impactos não ocorrem de maneira uniforme. A distribuição das chuvas, a duração dos períodos secos e a intensidade das temperaturas podem variar de acordo com a localização da propriedade e o desenvolvimento do fenômeno.

Diante desse cenário, o produtor deve considerar informações meteorológicas, histórico climático da região, época de plantio, características do solo e disponibilidade de água antes de definir a estratégia para a safra.

A combinação entre planejamento técnico e genética adequada pode ajudar a reduzir a exposição das lavouras às adversidades climáticas, especialmente em áreas com maior probabilidade de restrição hídrica.

Genética do milho ganha importância diante do risco de seca

Na cultura do milho, a escolha do híbrido influencia diretamente a capacidade de adaptação da lavoura. Características como ciclo, estabilidade produtiva, desenvolvimento radicular, tolerância ao calor e resposta à escassez de água ganham relevância em temporadas marcadas por incertezas climáticas.

Materiais de ciclo mais curto podem contribuir para que a cultura complete etapas importantes antes da intensificação do déficit hídrico. Já híbridos desenvolvidos para ambientes restritivos buscam entregar maior estabilidade quando as chuvas ficam abaixo do esperado.

Nesse contexto, o posicionamento agronômico precisa ser realizado de acordo com o ambiente produtivo, a janela de semeadura e o nível tecnológico adotado em cada propriedade.

Híbridos são direcionados a ambientes com restrição hídrica

Diante das projeções para a safra 2026/27, a LongPing High-Tech, por meio da marca Morgan, destaca materiais desenvolvidos para lavouras expostas ao estresse hídrico.

O híbrido MG540 é posicionado pela empresa como uma alternativa para a safrinha em ambientes sujeitos à limitação de água, com foco em estabilidade produtiva. O portfólio também inclui o MG447, material superprecoce cujo ciclo pode ajudar a lavoura a escapar de períodos de déficit hídrico no final do desenvolvimento.

A escolha, entretanto, deve considerar as recomendações técnicas para cada região, o zoneamento agrícola, a época de semeadura e as condições específicas da propriedade.

Pesquisa busca ampliar estabilidade das lavouras

Para o presidente da LongPing High-Tech, Aldenir Sgarbossa, a maior complexidade dos cenários climáticos exige antecipação e eficiência na tomada de decisões.

“O avanço de cenários climáticos mais complexos exige que o agronegócio trabalhe com máxima eficiência e antecipação. Nosso compromisso tem sido investir continuamente em pesquisa, melhoramento genético e biotecnologia para entregar materiais que ofereçam previsibilidade ao produtor”, afirma.

Segundo Sgarbossa, os híbridos da Morgan são desenvolvidos para reduzir os riscos relacionados ao estresse hídrico e à pressão fitossanitária, buscando preservar o potencial produtivo das lavouras mesmo em condições adversas.

Safra 2026/27 exigirá decisões mais antecipadas

Com o El Niño ganhando força em uma fase decisiva do calendário agrícola, o planejamento tende a se tornar ainda mais determinante para os resultados da safra 2026/27.

A escolha de híbridos adaptados, o escalonamento do plantio, o acompanhamento das previsões climáticas e o manejo adequado do solo estão entre as estratégias capazes de reduzir riscos.

Em um ciclo marcado pela possibilidade de calor intenso e irregularidade das chuvas, a genética deixa de ser apenas uma ferramenta para elevar a produtividade. Ela passa a integrar a estratégia de proteção da lavoura e de maior previsibilidade para o produtor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Veja Mais
Açúcar dispara em Nova York e Londres...
França pode perder excedente de trigo para exportação até 203...
Dólar sobe a R$ 5,13 com petróleo acima de US$ 100 e inflação...
Chuvas favorecem floradas do café no Brasil e pressionam preços...
Crédito rural para a agricultura empresarial soma R$ 65,7 bilhõ...
Como produtor fez a soja saltar para 118 sacas por hectare...
Milho segue firme com vendas seletivas no mercado...
Preço da soja sobe, mas custos ameaçam rentabilidade...
Estudo aponta como reduzir perdas de nitrogênio no milho...
Colheita do milho 2ª safra chega a 94,9% da área acompanhada em...
Mais vistos