O avanço da produção brasileira de carne suína começa a se refletir nos preços pagos pelos consumidores. No Paraná, cortes como paleta e pernil com osso acumulam quedas superiores a 20% em 12 meses, enquanto alguns produtos bovinos registram valorização de até 22% no mesmo intervalo.
A diferença entre as duas proteínas aumentou e tornou a carne suína uma alternativa mais competitiva no varejo paranaense. O movimento ocorre em um cenário de crescimento dos abates e maior disponibilidade do produto no mercado.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 15,6 milhões de suínos foram abatidos no Brasil no segundo trimestre de 2026. A produção alcançou 1,49 milhão de toneladas de carne.
Na comparação com o mesmo período de 2025, foram abatidas cerca de 500 mil cabeças adicionais, resultando em um acréscimo de aproximadamente 70 mil toneladas na produção nacional.
Paleta e pernil suíno custam R$ 14,15 por quilo
O impacto da maior oferta pode ser observado na pesquisa de preços no varejo realizada em agosto pelo Departamento de Economia Rural (Deral).
No Paraná, a paleta e o pernil suíno com osso foram comercializados, em média, por R$ 14,15 o quilo. Os dois cortes apresentaram redução superior a 20% em relação a agosto do ano passado.
A queda amplia a atratividade da carne suína, sobretudo em um período marcado pela valorização de cortes bovinos e pela maior atenção das famílias aos gastos com alimentação.
Carne bovina acumula valorização de até 22%
Enquanto a carne suína ficou mais barata, alguns cortes bovinos comercializados no Paraná estão até 22% mais caros do que há um ano.
Os movimentos opostos ampliaram a distância entre os preços das duas proteínas. Com isso, consumidores podem substituir parte das compras de carne bovina por opções suínas para reduzir despesas sem retirar a proteína animal do cardápio.
A diferença também pode favorecer o consumo de cortes suínos tradicionalmente utilizados no dia a dia, como paleta e pernil, além de aumentar a presença da proteína em promoções e ações comerciais dos supermercados.
Maior oferta de suínos pressiona preços no varejo
O crescimento dos abates ampliou a quantidade de carne suína disponível no mercado brasileiro. Embora os preços também dependam da demanda, dos custos de produção e das estratégias adotadas pelo varejo, a expansão da oferta contribui para limitar as cotações.
No caso paranaense, a redução anual superior a 20% indica que parte desse aumento de disponibilidade já chegou ao consumidor.
A continuidade desse movimento dependerá do equilíbrio entre produção e consumo nos próximos meses. Caso a oferta permaneça elevada e a demanda não avance na mesma proporção, os preços dos cortes suínos podem continuar pressionados.
Por outro lado, a competitividade diante da carne bovina pode estimular o consumo e absorver parte do volume adicional. Nesse cenário, o comportamento dos preços será determinado pela capacidade do mercado de equilibrar a expansão da produção com a procura dos consumidores.
Fonte: Portal do Agronegócio