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14-09-2026

Brasil deve confinar 9,78 milhões de bovinos em 2026

O Brasil deve encerrar 2026 com aproximadamente 9,78 milhões de bovinos mantidos em sistemas de confinamento, segundo a prévia do Censo de Confinamento 2026, elaborado pela DSM-Firmenich. Se confirmada, a estimativa representará crescimento de 5,7% frente aos 9,25 milhões de animais registrados em 2025.

A expansão da pecuária intensiva aumenta a necessidade de protocolos sanitários eficientes, especialmente nos períodos de maior ocupação das estruturas. Com mais animais concentrados e submetidos a mudanças de ambiente, dieta e manejo, falhas no processamento de entrada podem afetar o consumo, a conversão alimentar, o ganho de peso e a rentabilidade da operação.

Pecuária intensiva amplia participação nos abates

A previsão acompanha o avanço dos sistemas intensivos na produção brasileira de carne bovina. Conforme o Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o confinamento e a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) responderam por 23% dos bovinos abatidos em 2025.

No mesmo período, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 mercados, com receita recorde de US$ 18 bilhões. Os números reforçam a importância da produtividade, da qualidade das carcaças e da eficiência sanitária para a competitividade da pecuária nacional.

Ocupação dos confinamentos chega ao pico em agosto

A pressão sobre as operações aumenta durante o terceiro trimestre. Em média, os confinamentos chegam a julho com ocupação próxima de 90% da capacidade estática e podem alcançar níveis próximos de 100% em agosto.

Nesse período, o ingresso acelerado de animais exige maior atenção das equipes. Os bovinos deixam o pasto, enfrentam o transporte, são agrupados em novos lotes e passam por mudanças na alimentação e no ambiente, além de permanecerem em condições de maior densidade.

Segundo Ingo Mello, médico-veterinário e gerente técnico de Gado de Corte da Ourofino Saúde Animal, essa combinação concentra diversos riscos sanitários.

Entre os principais problemas estão verminoses, pneumonias, clostridioses, lesões decorrentes do transporte, recusa de alimento e distúrbios metabólicos. A identificação precoce e a adoção de medidas preventivas podem reduzir impactos durante toda a fase de terminação.

Doença Respiratória Bovina exige prevenção

A Doença Respiratória Bovina (DRB) está entre as principais preocupações na entrada do confinamento. Sua ocorrência pode ser favorecida pelo estresse do transporte, pela mistura de lotes, pelas alterações ambientais e pelo contato com agentes infecciosos.

Nesse contexto, a vacinação preventiva contribui para preparar o sistema imunológico antes do desenvolvimento dos quadros clínicos. Conforme Mello, animais corretamente imunizados apresentam melhores condições para enfrentar os agentes associados às doenças respiratórias.

Protocolos vacinais com cobertura adequada podem ajudar a reduzir morbidade, mortalidade, custos com tratamentos e perdas de desempenho. A definição do programa sanitário deve considerar a origem dos animais, o histórico da propriedade e os riscos existentes em cada operação.

Parasitas reduzem aproveitamento da dieta

O controle de parasitas internos também exerce papel importante na eficiência do confinamento. Mesmo sem sinais clínicos evidentes, a infestação pode provocar inflamações e lesões no trato gastrointestinal, anemia e menor absorção de nutrientes.

Esse efeito compromete o aproveitamento das dietas de alto desempenho utilizadas na terminação. Quando a absorção dos nutrientes é prejudicada, parte do investimento realizado na alimentação deixa de ser transformada em ganho de peso e carcaça.

Por isso, o protocolo de entrada deve combinar diagnóstico, controle estratégico de parasitas e acompanhamento do desempenho dos animais ao longo do ciclo.

Manejo do estresse pode melhorar adaptação dos bovinos

Além da vacinação e do controle parasitário, a redução do estresse tornou-se um componente importante da gestão dos confinamentos.

Estudo publicado em 2025 na revista científica Translational Animal Science, com participação de Ingo Mello, avaliou bovinos submetidos a diferentes condições de confinamento. Segundo os resultados relatados, o uso de uma substância apaziguadora materna bovina esteve associado a melhorias no desempenho, no consumo e no peso das carcaças. Em um dos experimentos, também houve redução da morbidade e da mortalidade relacionadas à doença respiratória.

A Ourofino comercializa no Brasil o FerAppease, modulador comportamental indicado pela empresa para situações potencialmente estressantes, como transporte, vacinação e formação de novos lotes.

Dados técnicos da companhia apontam retorno médio de R$ 5,09 para cada R$ 1 investido na aplicação durante a entrada no confinamento. A fabricante também associa o produto a ganhos de eficiência alimentar e a melhorias no pH da carne. Os resultados podem variar conforme as condições sanitárias, produtivas e operacionais de cada propriedade.

Sanidade, nutrição e bem-estar precisam atuar em conjunto

Com os confinamentos operando próximos da capacidade máxima, perdas aparentemente pequenas podem assumir grande proporção econômica. Por isso, o manejo sanitário deve estar integrado à nutrição, ao bem-estar animal e à capacitação das equipes.

A prioridade é garantir que o bovino chegue em boas condições, adapte-se rapidamente ao novo ambiente, mantenha o consumo de alimento e converta a dieta de forma eficiente em ganho de peso e carcaça.

Nesse campo, a Ourofino também desenvolve o Programa Examina Corte, com orientações e treinamentos relacionados ao manejo racional, às boas práticas sanitárias, à ronda dos animais e às necessidades específicas das propriedades.

Diante da perspectiva de quase 10 milhões de bovinos confinados em 2026, o controle de doenças, parasitas e estresse tende a ganhar ainda mais relevância. A eficiência do protocolo de entrada será decisiva para transformar o avanço da pecuária intensiva em maior produtividade, qualidade da carne e rentabilidade para o confinador.

Fonte: Portal do Agronegócio

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