Clima e geopolítica impactam mercado da soja
Agrolink - Seane Lennon
A semana do mercado de soja deve ser marcada pela divulgação do relatório WASDE do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para terça-feira (10). A avaliação é de especialista da Grão Direto, divulgada na segunda-feira (9), que aponta expectativa de ajustes nas estimativas globais. Segundo a análise, “o mercado projeta possíveis cortes nas estimativas das safras do Brasil e da Argentina, além de uma redução nos estoques finais norte-americanos, o que tem potencial para trazer muita volatilidade a Chicago”. O relatório também deve apresentar os primeiros números da safra 2026/27 dos Estados Unidos.
No campo climático, o início de março apresenta contrastes entre regiões produtoras do Brasil. De acordo com a análise da Grão Direto, “as previsões meteorológicas indicam que as regiões Norte e Nordeste devem receber volumes de chuvas acima da média, o que favorece a umidade do solo, mas exige atenção operacional”. Em contrapartida, o Sul do país enfrenta previsão de precipitações abaixo do padrão histórico. Já no Centro-Sul, as chuvas intensas e irregulares das últimas semanas atrasaram a retirada da soja e vêm encurtando o calendário ideal de semeadura do milho de segunda safra.
No cenário internacional, a análise destaca a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo o especialista da Grão Direto, “essa escalada bélica resultou no bloqueio prático do Estreito de Ormuz, uma ‘garganta’ marítima por onde transita cerca de 20% de todo o fornecimento global de petróleo e gás”. O relatório acrescenta que, diante desse cenário, “como consequência direta do pânico logístico e da ameaça à oferta, as cotações do petróleo podem continuar em disparada, o que acende um alerta vermelho para o agronegócio mundial devido à inevitável inflação nos custos de fretes, combustíveis, fertilizantes importados, além de acarretar em mudanças nos fluxos de comércio”.
A análise também aponta pressão sobre os prêmios de exportação nos portos brasileiros. Conforme o especialista da Grão Direto, o movimento está relacionado à chegada de grandes volumes da colheita nacional, à valorização do dólar frente ao real e às tensões no Oriente Médio, que elevaram custos de frete e de seguro marítimo devido aos riscos logísticos no Estreito de Ormuz. De acordo com o relatório, “isso têm encarecido drasticamente os fretes marítimos e os seguros internacionais, forçando os importadores a reduzir os prêmios pagos pela commodity diretamente nos portos do Brasil”.