O mercado global de açúcar voltou a registrar valorização nesta terça-feira (24), após recuar no início da semana. A recuperação foi impulsionada por fatores externos, como a alta do petróleo, e pelas expectativas em torno dos preços da gasolina no Brasil, que podem influenciar diretamente a destinação da cana-de-açúcar entre açúcar e etanol.
Alta em Nova York leva açúcar à máxima de cinco meses
Na ICE Futures U.S., em Nova York, os contratos do açúcar bruto encerraram o pregão em alta, consolidando a retomada do movimento positivo. O contrato maio/26 avançou 0,36 centavo, fechando a 15,88 cents de dólar por libra-peso, após atingir, ao longo do dia, a máxima de cinco meses, a 15,91 cents/lbp.
Os demais vencimentos também registraram ganhos:
O movimento indica recuperação consistente das cotações, com valorização ao longo de toda a curva.
Açúcar branco avança com força em Londres
Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco apresentou alta expressiva, acompanhando o desempenho positivo do mercado internacional.
Entre os principais contratos:
Os demais vencimentos também acompanharam o movimento, reforçando o viés de valorização no dia.
Petróleo e gasolina influenciam formação de preços
O avanço das cotações está diretamente relacionado à valorização do petróleo e à expectativa de possível reajuste nos preços da gasolina no Brasil. Esse cenário pode estimular maior demanda por etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado.
A Petrobras, responsável por cerca de 80% do fornecimento de gasolina no país, ainda não anunciou alterações nos preços. No entanto, o mercado permanece atento a qualquer sinalização.
De acordo com o Rabobank, eventuais aumentos nos combustíveis podem incentivar a cobertura de posições vendidas por fundos, elevando a volatilidade e sustentando movimentos de alta no curto prazo.
Mercado interno acompanha alta e açúcar cristal sobe em SP
No Brasil, o mercado físico também registrou valorização. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo CEPEA/ESALQ, apontou alta relevante.
A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 102,26, com avanço de 1,48% na comparação diária.
Etanol tem leve recuo no interior paulista
Em sentido oposto, o etanol hidratado apresentou leve queda. O Indicador Diário Paulínia (SP), também do CEPEA/ESALQ, registrou o biocombustível a R$ 3.050,50 por metro cúbico, recuo de 0,18% no dia.
O desempenho reflete a dinâmica mais moderada do mercado de combustíveis, com oscilações pontuais ao longo da semana.
Mercado segue atento ao cenário energético
O mercado de açúcar continua sensível às variáveis do setor energético, especialmente às decisões relacionadas aos combustíveis no Brasil. A possível mudança nos preços da gasolina pode alterar o equilíbrio entre produção de açúcar e etanol, influenciando diretamente as cotações internacionais.
No curto prazo, a tendência é de manutenção da volatilidade, com investidores atentos a novos fatores que possam direcionar o comportamento dos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio