Outro ponto relevante é o desempenho das exportações norte-americanas
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado de trigo apresenta movimento de recuperação no cenário internacional e firmeza nos preços domésticos, ainda que com fatores de pressão no curto prazo. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, os dados combinam indicadores da CBOT e do CEPEA/ESALQ, além de fundamentos globais e nacionais.
Entre os fatores de sustentação, destaca-se a demanda internacional ativa, com compras recentes da Tunísia e da Jordânia que ajudam a manter referências próximas de US$ 275 por tonelada no mercado externo. A menor disponibilidade da Ucrânia, com déficit acumulado de exportações, também contribui para dar suporte aos preços, assim como o agravamento das condições de seca no trigo de inverno dos Estados Unidos.
Outro ponto relevante é o desempenho das exportações norte-americanas ao longo da safra, que já atingem quase a totalidade da meta anual. No Brasil, o período de entressafra reduz a oferta interna, enquanto projeções indicam possível queda na área plantada, reforçando a expectativa de preços sustentados nos próximos meses. A sazonalidade também favorece esse movimento, com histórico de alta entre janeiro e abril e possibilidade de manutenção até julho.
Por outro lado, a pressão negativa vem do elevado volume exportado pela Rússia, que segue liderando o comércio global. As condições climáticas mais favoráveis para o trigo de primavera nos Estados Unidos e o desempenho fraco das vendas semanais também pesam sobre o mercado. Além disso, houve realização de lucros após altas recentes.
No campo técnico, os preços em Chicago mostram recuperação desde fevereiro, com rompimento de tendência de baixa e consolidação entre 590 e 620 cents por bushel. A leitura indica viés de alta no médio prazo, apesar da movimentação lateral recente.
A tendência no curto prazo é de estabilidade com leve viés positivo, enquanto o médio prazo aponta alta, sustentada por incertezas climáticas e oferta global ajustada. No Brasil, o cenário segue mais firme, com expectativa de preços elevados até a definição da safra de inverno.