O preço do trigo em grão consolidou trajetória de recuperação
Agrolink - Aline Merladete
O preço do trigo em grão consolidou trajetória de recuperação em abril, impulsionado pela oferta restrita e pela baixa liquidez, movimento típico do período de entressafra. Segundo dados divulgados pelo Cepea, vendedores permaneceram retraídos no mercado spot, à espera de melhores condições de comercialização.
A menor disponibilidade interna também contribuiu para manter o ritmo de negócios reduzido. Nesse cenário, compradores com necessidade imediata acabaram cedendo às cotações mais elevadas. De acordo com levantamento do Cepea, a postura mais cautelosa dos vendedores limitou a oferta disponível no mercado spot. A estratégia reflete a expectativa de preços mais atrativos em um período marcado pela menor circulação do produto.
Com menos trigo disponível internamente, as negociações perderam dinamismo. Ainda assim, a demanda pontual de compradores que precisam recompor estoques deu sustentação às cotações mais altas. Enquanto o trigo em grão avançou, o farelo de trigo manteve movimento de queda em abril. Segundo o Cepea, a pressão veio da combinação entre demanda enfraquecida, elevada disponibilidade do produto e maior competitividade de substitutos.
Esse conjunto de fatores reduziu o poder de reação dos preços no segmento, mesmo em um contexto de valorização do grão.
No mercado de farinhas, o comportamento foi mais equilibrado. De acordo com dados do Centro de Pesquisas, os preços apresentaram maior estabilidade, refletindo uma demanda relativamente ajustada à oferta. O desempenho distinto entre trigo em grão, farelo e farinhas mostra que os derivados seguem respondendo a fundamentos próprios, como disponibilidade, ritmo de consumo e competitividade frente a outros produtos.
A recuperação do trigo em grão reforça o impacto da entressafra sobre o mercado brasileiro. Com vendedores retraídos e compradores atuando apenas conforme a necessidade, a liquidez tende a seguir limitada enquanto a oferta interna permanecer restrita. Para a cadeia produtiva, o cenário exige atenção aos movimentos de comercialização, sobretudo diante da diferença de comportamento entre o grão, o farelo e as farinhas.