No curto prazo, a tendência dos preços é lateral
Agrolink - Leonardo Gottems
As recomendações para a soja indicam cautela na venda física e atenção às oportunidades de fixação no mercado futuro, especialmente quando Chicago superar zonas de resistência técnica. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, o produtor deve usar a CBOT para fixar preços desta e da próxima safra quando as cotações ultrapassarem a linha de resistência, sem avançar agora em vendas físicas diante do risco climático associado ao El Niño.
No curto prazo, a tendência dos preços é lateral, com leve viés de alta. A sustentação vem do petróleo em patamares elevados, próximo de US$ 95 por barril, da firmeza do óleo de soja e das preocupações com a deficiência hídrica nas Grandes Planícies dos Estados Unidos. Esses fatores mantêm o complexo soja amparado, mesmo após realizações de lucros dos fundos e diante de um mercado que voltou a operar dentro de um canal lateral.
A análise aponta que o fechamento semanal acima da resistência de US$ 12,00 por bushel melhora o aspecto técnico em Chicago, embora ainda não confirme uma tendência altista consistente. O suporte relevante aparece na faixa entre US$ 11,70 e US$ 11,75 por bushel, enquanto a resistência está próxima de US$ 12,00 a US$ 12,10 por bushel. A orientação é aproveitar rompimentos dessa faixa para fixações no mercado futuro, onde não há necessidade de entrega física.
Entre os fatores que limitam altas mais fortes estão as exportações semanais fracas dos Estados Unidos, a menor demanda chinesa para esmagamento e a safra recorde brasileira. As vendas norte-americanas somaram 141,9 mil toneladas para 2025/26, abaixo do esperado, enquanto o acumulado anual segue 18,24% inferior ao do mesmo período do ano anterior. No Brasil, as exportações recordes de soja e farelo reforçam a ampla disponibilidade global.
No mercado doméstico, os preços seguem lateralizados. A demanda acomodada reduz o impulso de alta, mas o ritmo forte das exportações e os prêmios ainda evitam quedas mais acentuadas. Para o médio prazo, a avaliação mantém viés baixista, condicionado principalmente à grande oferta global e ao clima nos Estados Unidos durante junho e julho.