Há poucos dias, o arroz era negociado entre R$ 60 e R$ 62 na região
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado do arroz voltou a registrar queda nos preços pagos ao produtor na Fronteira Oeste, em meio a uma percepção considerada distorcida por agentes do setor. Segundo análise de Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, os leilões recentes acabaram influenciando a leitura do mercado físico e ampliando a pressão sobre as negociações.
Há poucos dias, o arroz era negociado entre R$ 60 e R$ 62 na região. Agora, já são registrados negócios entre R$ 57 e R$ 59. Na avaliação de Cardoso, parte desse movimento ocorreu porque produtores aceitaram vender arroz em faixas entre R$ 53 e R$ 55 devido à existência de prêmios que elevavam o valor final recebido para algo próximo de R$ 63 ou R$ 64.
O problema, segundo a análise, é que o mercado passou a considerar principalmente o preço-base das operações, criando a percepção de que haveria produtores dispostos a negociar abaixo de R$ 60 sem resistência. Esse entendimento acabou gerando maior pressão sobre os preços, fortalecendo a sensação de excesso de oferta e deixando compradores mais cautelosos nas negociações.
A avaliação também aponta que os leilões tiveram papel importante na geração de liquidez para parte dos produtores, mas acabaram impactando negativamente a referência do mercado físico. Sem a presença dos prêmios, a rentabilidade das operações muda significativamente.
Outro ponto destacado é que o mercado pode continuar pressionado por uma referência considerada artificial, mesmo diante de sinais de mudança nos fundamentos do setor. Dados do Mercosul já indicam redução de área plantada e queda de produção para a próxima safra.