O comportamento refletiu o ajuste das expectativas
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado da soja encerrou o dia com oscilações limitadas, em um ambiente ainda marcado pela cautela dos agentes diante da falta de sinais concretos de demanda chinesa. Segundo a TF Agroeconômica, a Bolsa de Chicago fechou praticamente estável, com o contrato de julho em queda de 0,29%, a US$ 12,0950 por bushel, enquanto agosto recuou 0,10%, a US$ 12,0975 por bushel.
O comportamento refletiu o ajuste das expectativas após a empolgação da véspera com um possível acordo de US$ 17 bilhões, ainda sem confirmação prática por parte do mercado asiático. A pressão adicional veio do relatório de Progresso de Safras do USDA, que indicou avanço do plantio norte-americano de 49% para 67% da área prevista, acima das expectativas e do ritmo registrado no ano passado. No Brasil, a Conab apontou a colheita em fase final, com 98,8% da área concluída.
No mercado interno, o Rio Grande do Sul teve valorizações nominais, com Santa Rosa e Passo Fundo a R$ 126,00 por saca e o Porto de Rio Grande a R$ 131,00. A revisão da produção estadual para pouco mais de 19 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior de 21,44 milhões, reforçou a percepção de perdas causadas pela irregularidade das chuvas. A ameaça de paralisação rodoviária e as dúvidas sobre o piso mínimo de fretes também aumentaram os prêmios de risco.
Em Santa Catarina, a colheita superou 70% da área, com recuperação moderada no interior e cotação de R$ 131,00 no Porto de São Francisco do Sul. No Paraná, Ponta Grossa chegou a R$ 128,50, enquanto a colheita atingiu 96% e a disputa por armazenagem ganhou força com o avanço do etanol de milho e o plantio do trigo.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul encerrou a safra com recorde de 17,759 milhões de toneladas, enquanto Mato Grosso confirmou produção histórica de 51,56 milhões. Apesar dos volumes elevados, os gargalos de armazenagem, o custo dos fretes e a pressão logística seguem limitando a rentabilidade dos produtores.