A safra brasileira de grãos 2025/26 segue em patamar elevado
Agrolink - Leonardo Gottems
O novo ciclo do agronegócio brasileiro tende a exigir decisões mais precisas do produtor, em um ambiente no qual produzir mais já não será suficiente para garantir bons resultados. A avaliação é de Ricardo leite, especialista em agronegócio, com base em dados da Conab, do USDA, da ANDA e da NOAA/CPC.
A safra brasileira de grãos 2025/26 segue em patamar elevado, com estimativa de aproximadamente 358 milhões de toneladas, segundo a Conab. A soja aparece projetada acima de 180 milhões de toneladas, enquanto o milho permanece em nível superior a 140 milhões de toneladas. O volume reforça a força estrutural do país no campo, mas não elimina os desafios da próxima temporada.
Para 2026/27, margens mais sensíveis, custo de produção pressionado, crédito mais seletivo, volatilidade internacional e maior atenção ao clima devem ampliar o peso da gestão. A decisão de plantio, a compra de insumos, o uso de tecnologia, a estrutura de financiamento e a proteção da margem passam a ser tão relevantes quanto a produtividade física.
No mercado internacional, o USDA projeta demanda firme por soja, farelos e óleos vegetais, impulsionada por alimentação animal, esmagamento e biocombustíveis. No milho, o consumo global projetado supera a produção, com queda nos estoques finais. Já os dados da ANDA indicam redução nas entregas de fertilizantes ao mercado, queda na produção nacional e retração nas importações no início de 2026.
O clima também deve pesar nas decisões. A NOAA/CPC aponta elevada probabilidade de formação de El Niño ao longo de 2026, fator que pode alterar regimes de chuva e influenciar janelas de plantio e produtividade. Nesse cenário, a safra 2026/27 tende a ser definida pela combinação entre produtividade, disciplina financeira e gestão de risco.
Foto: Canva