A soja começou o dia com forte recuo
Agrolink - Leonardo Gottems
Os mercados agrícolas iniciaram esta sexta-feira sob pressão, com trigo, soja e milho registrando tendência de baixa em meio à atuação dos fundos, ao câmbio e às incertezas sobre a demanda internacional. Segundo a TF Agroeconômica, o movimento reflete principalmente a falta de novas compras chinesas, além de fatores ligados à colheita e ao comércio global.
No trigo, as perdas continuam sendo lideradas por vendas de fundos, fortalecimento do dólar e rumores sobre uma possível reabertura da navegação no Mar Negro. O mercado também acompanha a demanda chinesa e busca sinais mais claros sobre o avanço da colheita nos Estados Unidos.
A soja começou o dia com forte recuo após a ausência de vendas significativas para a China durante a visita de seu presidente aos EUA. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping não trouxe novos anúncios concretos sobre compras agrícolas, embora a trégua comercial relacionada às tarifas recíprocas tenha sido prorrogada até 10 de janeiro.
Ao mesmo tempo, chuvas seguem atrasando a colheita em partes do cinturão agrícola norte-americano. Nebraska, Dakota do Sul e Iowa já apresentam problemas localizados de abastecimento para algumas indústrias de processamento. A distribuição da soja também provoca diferenças de preços e movimentação do produto entre regiões.
Na América do Sul, os prêmios de exportação brasileiros permanecem estáveis, enquanto o óleo de soja ganha força e o farelo apresenta fraqueza. Na Rússia, o esmagamento de oleaginosas segue elevado.
O milho também opera sob pressão, afetado pela falta de compras chinesas e pelas vendas de fundos. As chuvas elevam custos com logística e secagem durante a colheita, enquanto a ausência de compras expressivas pela União Europeia frustra expectativas do mercado norte-americano.