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02-10-2026

Algodão brasileiro amplia peso no mercado global

A formação de preços ainda depende principalmente da ICE

Agrolink - Leonardo Gottems

O avanço da produção e das exportações de algodão ampliou o peso do Brasil no mercado internacional e abriu uma nova discussão sobre a formação de preços da fibra. Na última década, a participação brasileira nas exportações globais passou de cerca de 7% para mais de 35%, apoiada por investimentos na produção, infraestrutura e ampliação da demanda externa.

Durante encontro da ORÍGEO com cerca de 200 cotonicultores no Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte, Blake McClendon, líder global de algodão da Bunge, avaliou que o país assumiu um papel antes concentrado nos Estados Unidos como fornecedor de volumes adicionais ao mercado mundial. A fibra brasileira também passou a integrar com maior frequência as compras de indústrias têxteis de países como China, Índia, Vietnã, Turquia, Paquistão e Indonésia.

A formação de preços ainda depende principalmente da ICE, referência ligada ao algodão norte-americano. Com Brasil e Estados Unidos respondendo a condições próprias de oferta e demanda, essa diferença pode elevar riscos em negociações antecipadas.

Como alternativa, o executivo apresentou a possibilidade de criação de uma referência própria para o algodão brasileiro, complementar à ICE, com entrega física, armazéns certificados, classificação independente e o Porto de Santos como ponto de entrega.

Para Roberto Marcon, CEO da ORÍGEO, o fortalecimento da atuação da Bunge no algodão amplia as possibilidades de apoio ao produtor na proposta integrada da ORÍGEO. “Com a aquisição da Viterra, a Bunge fincou posição nesse mercado e tem uma ambição bastante grande que é, juntamente conosco, ser líder em algodão no Brasil. Para isso, estamos trazendo uma série de ferramentas, desde financiamento até soluções de comercialização. Do outro lado, olhando para dentro da fazenda, temos a UPL desenvolvendo produtos e inovação para a cultura. Queremos conectar essas diferentes frentes para oferecer ao cotonicultor soluções que acompanham as necessidades do negócio dentro e fora da porteira.”

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