O mercado brasileiro de milho mantém preços sob pressão diante da disponibilidade de produto e da atuação cautelosa dos compradores. Enquanto as negociações seguem pontuais no Sul e no Centro-Oeste, os contratos internacionais recuavam na manhã desta quarta-feira (7) em Chicago, após a valorização de 2,16% do vencimento dezembro na sessão anterior.
No Brasil, a queda do dólar frente ao real observada na terça-feira (6) também pressionou as referências para exportação e as cotações no interior. Na quarta-feira, porém, a moeda norte-americana apresentava recuperação parcial, indicando mudança em relação ao movimento da véspera.
Além do câmbio, o mercado acompanha o avanço do plantio da safra 2026/27 no país, a colheita norte-americana e o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para sexta-feira.
Oferta de milho e demanda cautelosa limitam preços no Brasil
A disponibilidade de milho para venda e o abastecimento dos consumidores têm restringido movimentos de valorização. Compradores priorizam reposições pontuais, enquanto produtores selecionam as oportunidades de comercialização.
Segundo a TF Agroeconômica, o mercado apresenta diferenças entre os estados, com negócios limitados e exportações em ritmo mais lento. A distância entre os valores pretendidos pelos vendedores e as indicações de compra também dificulta o fechamento de operações.
Na terça-feira, as referências nos portos ficaram entre R$ 65 e R$ 68 por saca em Santos, na modalidade CIF, e entre R$ 64 e R$ 67 em Paranaguá.
No interior, Cascavel (PR) registrou preços de R$ 56 a R$ 62 por saca. Em São Paulo, os valores ficaram entre R$ 61 e R$ 65 na Mogiana e entre R$ 67 e R$ 68 em Campinas, na condição CIF.
As indicações também variaram de R$ 60 a R$ 65 em Uberlândia (MG), de R$ 56 a R$ 60 em Rio Verde (GO), na modalidade CIF, e de R$ 52 a R$ 56 em Rondonópolis (MT).
Rio Grande do Sul tem preços distintos entre praças
No levantamento da TF Agroeconômica, as negociações no Rio Grande do Sul ocorreram entre R$ 60 e R$ 69 por saca. O preço médio estadual apurado pela Emater avançou 1,84%, para R$ 62,67, enquanto a Bolsa de Cereais de Cruz Alta manteve a referência do disponível em R$ 75.
Em outro acompanhamento de mercado, referente à terça-feira, Erechim apresentou indicações entre R$ 70 e R$ 72 por saca. As diferenças entre os levantamentos refletem referências de praças e condições comerciais distintas.
No campo, a semeadura gaúcha da safra 2026/27 alcançou 78% da área. As lavouras apresentavam condição regular, com início das aplicações de nitrogênio e dos manejos fitossanitários.
Plantio avança no Sul, mas chuvas dificultam operações
Em Santa Catarina, as referências de venda estavam próximas de R$ 60 por saca, diante de indicações de compra ao redor de R$ 55. Essa diferença manteve os negócios restritos.
A semeadura catarinense chegou a 65%, com boa germinação e desenvolvimento no Oeste e Extremo-Oeste. Entretanto, o excesso de chuva limita as operações e pode prejudicar áreas com drenagem inadequada.
No Paraná, a TF Agroeconômica apontou referências próximas de R$ 60 e indicações de demanda ao redor de R$ 55 por saca CIF. As cotações regionais recuaram, variando de R$ 58,06 no Oeste a R$ 66,44 no Norte Central.
A semeadura paranaense atingiu 72% da área no levantamento citado, favorecida pelas chuvas recentes.
Em Mato Grosso do Sul, os preços ficaram entre R$ 53 e R$ 56 por saca. Dourados apresentou o maior recuo entre as praças acompanhadas, enquanto Maracaju registrou leve alta. A indústria de bioenergia continuou ativa nas compras, absorvendo parte da oferta.
Chicago devolve ganhos com realização de lucros e tempo seco
Na Bolsa de Chicago, o milho iniciou a quarta-feira em baixa, pressionado por vendas técnicas após a alta da véspera e pela expectativa de condições favoráveis ao avanço da colheita nos Estados Unidos.
Por volta das 8h50, no horário de Brasília, o contrato dezembro de 2026 era negociado a US$ 5,04 por bushel, queda de 4 centavos. Março de 2027 recuava 3,75 centavos, para US$ 5,1850, enquanto maio perdia 3,25 centavos, cotado a US$ 5,2575.
As previsões de tempo predominantemente seco no Meio-Oeste norte-americano favorecem os trabalhos de campo. Chuvas leves podem ocorrer em algumas áreas na sexta-feira, mas a expectativa apresentada ao mercado é de predomínio de condições secas até sábado.
A valorização do dólar frente a outras moedas também pressionava os contratos, por reduzir a competitividade do milho dos Estados Unidos. As tensões entre Rússia e Ucrânia permaneciam no radar e ajudavam a limitar parte das perdas dos grãos.
Colheita dos EUA chega a 23% e segue abaixo da média
Segundo o USDA, a colheita norte-americana de milho alcançou 23% da área até 4 de outubro, ante 18% na semana anterior. Apesar do avanço, o ritmo permanecia abaixo da média de 27% dos últimos cinco anos.
A maturidade atingiu 83% das lavouras, contra 72% no levantamento anterior, em linha com a média histórica.
As condições das plantações também pioraram: 54% estavam classificadas como boas ou excelentes, frente a 57% na semana anterior. As áreas em situação regular passaram de 26% para 28%, e as consideradas ruins ou muito ruins aumentaram de 17% para 18%.
Na terça-feira, o atraso da colheita e a desvalorização internacional do dólar sustentaram Chicago. O contrato dezembro fechou a US$ 5,08 por bushel, alta de 10,75 centavos, ou 2,16%. Março encerrou a US$ 5,2225, avanço de 10,75 centavos, equivalente a 2,10%.
Câmbio e relatório do USDA orientam próximas negociações
Na referência apresentada para a manhã de quarta-feira, o dólar comercial subia 0,49%, a R$ 5,0016, enquanto o Dollar Index avançava 0,60%, para 102,448 pontos.
A recuperação parcial da moeda norte-americana ocorre após a queda que pressionou os preços brasileiros na véspera. Seu comportamento continua relevante para a formação das referências nos portos e no mercado interno.
Até a divulgação do relatório mensal do USDA, o mercado deve acompanhar principalmente o ritmo da colheita nos Estados Unidos, as condições climáticas e o câmbio. No Brasil, a disponibilidade de milho e a demanda voltada à reposição seguem como os principais fatores de pressão sobre as cotações.