O cenário de curto prazo é baixista
Agrolink - Leonardo Gottems
A possibilidade de queda nos preços da soja exige atenção às decisões de venda e aos custos de manter estoques nos próximos meses. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, os produtores devem escalonar a comercialização e aproveitar eventuais recuperações para vender parcelas da safra, sem apostar toda a produção em uma alta futura.
O cenário de curto prazo é baixista, pressionado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, pela desaceleração do esmagamento norte-americano e pela expectativa de maior oferta brasileira. A Conab projeta 181,62 milhões de toneladas na safra 2026/27. Compras chinesas e estoques reduzidos de óleo de soja nos Estados Unidos, porém, podem limitar as quedas.
Antes de negociar, a recomendação é calcular o preço mínimo de venda, incluindo custos de produção, arrendamento, financiamento, frete e armazenagem. Também é importante acompanhar o dólar, os prêmios de exportação e a demanda regional, pois Chicago não determina sozinha o preço recebido no campo.
Reter os grãos só compensa quando a valorização esperada supera juros, perdas de qualidade e demais custos. Contratos a termo, futuros e opções podem ajudar a proteger margens, desde que compatíveis com a produção prevista e a capacidade financeira do agricultor.
Para cooperativas e cerealistas, a orientação é evitar estoques excessivos, controlar margens e diversificar compradores. Exportadores devem avaliar a competitividade brasileira e distinguir vendas chinesas contratadas dos embarques efetivos. As indústrias esmagadoras, por sua vez, são orientadas a escalonar compras e calcular margens considerando os preços do óleo e do farelo.
Na avaliação da consultoria, combinar vendas graduais, controle de custos e acompanhamento do câmbio oferece mais segurança do que depender de uma recuperação das cotações internacionais.