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19-10-2026

Agronegócio reúne 28,4 milhões de trabalhadores no Brasil

Ocupação cresceu 0,7% em um ano, impulsionada pela produção primária e pelos agrosserviços. Empregados com carteira somam 9,88 milhões, enquanto rendimento médio do setor permanece abaixo da média nacional.

O agronegócio brasileiro ocupou 28,38 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, alta de 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado e o maior contingente já registrado para um segundo trimestre desde o início da série histórica, em 2012. O resultado representa um acréscimo de aproximadamente 188,6 mil trabalhadores em um ano, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Apesar do recorde, a participação do agronegócio no mercado de trabalho nacional permaneceu em 26% dos ocupados. O avanço do setor ocorreu em paralelo à expansão do emprego no país, que registrou crescimento de 0,7% na comparação anual e taxa de desocupação de 5,4% no segundo trimestre, a menor já observada para esse período.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a população ocupada no agronegócio aumentou 0,1%, o equivalente a 27 mil pessoas. O ritmo foi inferior ao do mercado de trabalho brasileiro, que incorporou 1,08 milhão de ocupados no intervalo, com alta de 1%.

Produção primária sustenta o crescimento
O avanço anual da ocupação foi concentrado em dois segmentos da cadeia. A produção agropecuária primária registrou crescimento de 2,7%, enquanto os agrosserviços avançaram 1,1%. Em sentido contrário, o número de ocupados recuou 6,5% no segmento de insumos agropecuários e 2,4% na agroindústria.

Os dados indicam que o aumento do contingente de trabalhadores não ocorreu de maneira uniforme ao longo da cadeia produtiva. Enquanto a atividade primária e os serviços ligados ao agronegócio ampliaram a ocupação, os segmentos de fornecimento de insumos e processamento industrial registraram redução.

O segmento primário reunia aproximadamente 7,92 milhões de pessoas no segundo trimestre, ante 7,71 milhões no mesmo período de 2025. Já os agrosserviços somavam cerca de 10,61 milhões de trabalhadores, frente a 10,49 milhões um ano antes. Os agrosserviços abrangem atividades necessárias ao funcionamento e à distribuição da produção agropecuária e agroindustrial.

Carteira assinada concentra 9,88 milhões de trabalhadores
A estrutura ocupacional também apresentou mudanças. Na comparação entre os segundos trimestres de 2025 e 2026, o número de trabalhadores por conta própria cresceu 2,4%, enquanto o de empregadores aumentou 3,5%. Entre os empregados com carteira assinada, a alta foi de 0,5%. Os trabalhadores familiares auxiliares tiveram crescimento de 1,2%.

Na direção oposta, a ocupação entre empregados sem carteira assinada caiu 1,7%.

Mesmo com a expansão de outras categorias, o emprego formal permanece como a principal posição individual na estrutura ocupacional do agronegócio. O grupo reunia aproximadamente 9,88 milhões de pessoas no segundo trimestre, equivalente a 34,8% do total de ocupados no setor.

O levantamento também considera trabalhadores por conta própria, empregadores, empregados sem carteira, trabalhadores familiares auxiliares e pessoas dedicadas exclusivamente à produção para autoconsumo. Por isso, o contingente total do estudo não corresponde apenas aos empregados contratados por empresas do agronegócio.

Rendimento médio fica abaixo da média nacional
A remuneração é outro indicador relevante para avaliar a estrutura do mercado de trabalho do setor. No segundo trimestre de 2026, o rendimento médio mensal habitual dos empregados e de outras categorias consideradas pelo levantamento foi de R$ 2.972 no agronegócio, ante R$ 3.475 no conjunto do Brasil.

Entre os empregadores, a diferença também apareceu: o rendimento médio foi de R$ 8.502 no agronegócio e de R$ 9.148 no país. Para os trabalhadores por conta própria, os valores foram de R$ 2.443 e R$ 3.109, respectivamente.

Os valores são reais, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para maio de 2026. A comparação mostra que, nas três categorias apresentadas pelo boletim, os rendimentos médios do agronegócio ficaram abaixo dos registrados no mercado de trabalho nacional.

A massa de rendimentos do agronegócio alcançou R$ 71,84 bilhões no segundo trimestre de 2026. O indicador representa o total de rendimentos gerados pelos trabalhadores considerados no cálculo, oferecendo uma dimensão do volume de renda associado à ocupação no setor.

Escolaridade e participação feminina
O perfil dos trabalhadores também revela diferenças na formação educacional e na distribuição por gênero. No segundo trimestre, 40,4% dos ocupados no agronegócio tinham ensino médio, enquanto 37,1% possuíam ensino fundamental. A parcela com ensino superior correspondia a 17,4%, e 5,1% não tinham instrução.

A distribuição por gênero mostrava predominância masculina: os homens representavam 61,8% dos ocupados, enquanto as mulheres correspondiam a 38,2%.

Na comparação anual, contudo, a ocupação feminina cresceu 0,7%, ligeiramente acima da alta de 0,6% registrada entre os homens. O resultado indica aumento da participação absoluta de ambos os grupos no mercado de trabalho do agronegócio, com variação relativa um pouco maior entre as mulheres.

Os dados são do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Cepea com apoio da CNA, a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de outras bases e metodologia própria.

Fonte: O Presente Rural

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