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21-10-2026

Brasil deve ampliar produção de carne suína em 2,8% em 2027, enquanto oferta mundial recua

A produção brasileira de carne suína deverá crescer 2,8% em 2027, na contramão do mercado mundial, que deve registrar retração de 0,7%. As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgadas nesta quarta-feira (21), indicam que a redução da oferta na China e na União Europeia será superior ao crescimento esperado em países como Brasil, Vietnã e Estados Unidos. Apesar da expansão produtiva brasileira, o avanço das exportações deverá ser mais moderado, diante da perspectiva de menor demanda em mercados importantes.

A China, maior produtora mundial de carne suína, deverá apresentar a retração mais expressiva entre os principais produtores, de 2,2%, em consequência da redução do rebanho. Na União Europeia, a estimativa é de queda de 0,5%. Os dois movimentos deverão influenciar o resultado global, mesmo com a expansão prevista em outros países.

No Brasil, o crescimento de 2,8% deverá ocorrer mesmo com a expectativa de redução do plantel de matrizes. Segundo o USDA, os ganhos de eficiência produtiva deverão compensar esse movimento e permitir o aumento da oferta. O resultado reforça a importância dos indicadores zootécnicos, como produtividade das matrizes, desempenho dos animais e eficiência dos sistemas de produção, para sustentar o crescimento da atividade sem depender exclusivamente da ampliação dos plantéis.

Produção cresce em países emergentes
Além do Brasil, outros países deverão ampliar a produção de carne suína em 2027. As maiores taxas de crescimento projetadas pelo USDA estão concentradas na Ásia, especialmente nas Filipinas e no Vietnã.

As Filipinas lideram o crescimento percentual projetado, com alta de 4,4%, seguidas pelo Vietnã, com 3,5%, e pelo México, com 3,1%. Embora esses países apresentem taxas superiores à brasileira, o impacto sobre a oferta mundial depende também do volume produzido por cada um.

A redução prevista para a China tem peso particularmente relevante nesse balanço. O país responde por quase metade da produção mundial de carne suína, o que faz com que alterações relativamente pequenas em sua produção tenham efeitos expressivos sobre o volume global.

Exportações brasileiras devem crescer menos que a produção
No comércio internacional, o USDA projeta estabilidade das exportações mundiais de carne suína em 2027. O crescimento dos embarques do Brasil, China, Estados Unidos e México deverá compensar a redução prevista nas vendas externas da União Europeia.

Para o Brasil, a expectativa é de aumento de 2% nas exportações, percentual inferior ao crescimento de 2,8% estimado para a produção. Segundo o departamento norte-americano, a maior disponibilidade de carne deverá favorecer os embarques, mas a demanda mais fraca em mercados relevantes tende a limitar a expansão comercial.

A China, apesar da redução projetada na produção doméstica, deverá ampliar suas exportações de carne suína em 21%, alcançando o maior volume desde 2018. Esse crescimento, contudo, parte de uma base exportadora relativamente pequena em comparação com os principais fornecedores mundiais.

O cenário indica que a retração da produção mundial não significa, necessariamente, maior demanda por carne brasileira. O desempenho das exportações dependerá das condições de consumo nos países importadores, da competitividade dos fornecedores e dos preços praticados no comércio internacional.

Oferta brasileira exige maior capacidade de absorção
As projeções do USDA também colocam em evidência a necessidade de acompanhar o equilíbrio entre a expansão produtiva e a capacidade de absorção da carne suína pelos mercados interno e externo.

No Brasil, o aumento da produção já tem influenciado a formação dos preços em 2026. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, divulgada em setembro, o crescimento das exportações até agosto não havia sido suficiente para absorver a expansão da oferta doméstica, mantendo pressão sobre as cotações e as margens dos produtores.

Os dados mais recentes do comércio exterior reforçam essa diferença entre volume e remuneração. Na parcial de outubro, referente aos primeiros 11 dias úteis, as exportações brasileiras de carne suína fresca, refrigerada ou congelada somaram 74,42 mil toneladas, com receita de US$ 168,68 milhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Na comparação entre as médias diárias de outubro de 2026 e do mesmo mês de 2025, o volume embarcado cresceu 18,5%, enquanto o preço médio caiu 11,1%, passando de US$ 2.550,10 para US$ 2.266,70 por tonelada. Mesmo com a desvalorização, a receita média diária aumentou 5,3%, sustentada pelo maior volume comercializado.

Os resultados mostram que a ampliação dos embarques tem contribuído para o escoamento da produção, mas com menor remuneração por tonelada. Para a indústria, a queda dos preços internacionais pode afetar as receitas; para os produtores, a evolução das margens dependerá também dos preços pagos pelos animais e dos custos de produção.

Projeções para 2027 apontam crescimento, mas diferem em intensidade
As estimativas do USDA para 2027 podem ser comparadas às projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que também prevê expansão da suinocultura brasileira.

Segundo a Conab, a produção nacional deverá alcançar 5,93 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 4,79% sobre 2025. Para 2027, a companhia projeta 6,15 milhões de toneladas, alta de 3,7%, percentual superior aos 2,8% previstos pelo USDA.

No comércio exterior, a Conab estima que as exportações brasileiras passarão de 1,58 milhão de toneladas em 2026 para 1,65 milhão de toneladas em 2027, aumento de aproximadamente 4,4%. A projeção também supera o crescimento de 2% esperado pelo departamento norte-americano.

As diferenças refletem estimativas elaboradas por instituições distintas, com metodologias e premissas próprias. Por isso, os volumes absolutos não devem ser tratados como diretamente equivalentes sem considerar os critérios utilizados em cada levantamento.

Apesar das diferenças, os dois organismos apontam na mesma direção: a produção brasileira de carne suína deverá continuar crescendo em 2027. A principal questão para o setor será a capacidade de ampliar a comercialização em ritmo suficiente para acompanhar a oferta, especialmente em um mercado internacional no qual o USDA prevê estabilidade dos volumes exportados e demanda mais limitada em destinos importantes.

Fonte: O Presente Rural

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