O Brasil recebeu autorização sanitária para exportar novos produtos de origem animal ao Sudão, país localizado no nordeste da África. A abertura abrange desde carnes e miúdos até animais destinados à reprodução e material genético bovino e bubalino, ampliando as possibilidades de comercialização para frigoríficos, empresas de genética e produtores brasileiros.
A decisão foi comunicada pela autoridade sanitária sudanesa e divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). Entre os produtos autorizados estão aves de um dia, ovos férteis, carnes, produtos cárneos e miúdos de aves, bovinos e caprinos. A lista também inclui bovinos e búfalos destinados à reprodução, além de embriões bovinos e bubalinos produzidos in vitro e in vivo.
A abrangência das autorizações permite ao Brasil atuar em diferentes segmentos da cadeia pecuária sudanesa. Enquanto a exportação de carnes e miúdos atende ao mercado de alimentos, o fornecimento de animais reprodutores, ovos férteis e embriões está relacionado à formação, multiplicação e melhoramento dos rebanhos e plantéis.
Reprodução animal também ganha espaço
Um dos pontos da abertura é a inclusão de material genético e animais vivos, produtos que exigem protocolos sanitários específicos para o comércio internacional.
Na avicultura, a autorização para aves de um dia e ovos férteis cria uma possibilidade comercial para empresas especializadas no fornecimento de genética e na multiplicação de plantéis. Diferentemente da exportação de carne, essas operações estão ligadas às etapas iniciais da produção avícola no país importador.
Na bovinocultura e na bubalinocultura, a autorização alcança tanto a comercialização de reprodutores vivos quanto a de embriões. A inclusão das técnicas de produção in vitro e in vivo amplia as modalidades de material genético que poderão ser negociadas, permitindo atender diferentes sistemas de reprodução animal.
A exportação de embriões pode contribuir para a introdução de características genéticas desejadas nos rebanhos do país comprador, sem a necessidade de transportar os animais doadores. Já a comercialização de reprodutores vivos permite a incorporação direta desses animais aos sistemas de criação.
Comércio bilateral ainda é limitado
A abertura ocorre em um mercado que atualmente tem participação reduzida nas exportações brasileiras. Segundo dados da base internacional UN Comtrade, reproduzidos pela plataforma Trading Economics, o Brasil exportou aproximadamente US$ 1,31 milhão ao Sudão em 2025.
Desse total, cerca de US$ 84,6 mil corresponderam a carnes e miúdos comestíveis. Os principais produtos da pauta exportadora brasileira foram máquinas e equipamentos mecânicos, com US$ 659,3 mil, e produtos farmacêuticos, com US$ 326,4 mil.
Os números mostram que o Sudão ainda representa um destino de pequena expressão comercial para o Brasil. A autorização de novas categorias de produtos agropecuários pode contribuir para diversificar essa pauta, embora a dimensão dos negócios dependa da demanda local e da capacidade de concretização das operações.
Conflito interno limita atividade econômica
A abertura também ocorre em meio à grave crise enfrentada pelo Sudão desde abril de 2023, quando começou o conflito armado entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido.
Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado em setembro de 2026, aproximadamente 19,5 milhões de pessoas estavam projetadas para enfrentar níveis críticos ou mais graves de insegurança alimentar entre fevereiro e maio deste ano.
O documento também aponta que o conflito comprometeu a infraestrutura econômica, restringiu o acesso a insumos agrícolas e prejudicou o transporte e a comercialização de alimentos. Até o fim de julho, cerca de 8,6 milhões de pessoas estavam deslocadas internamente.
Essas condições representam obstáculos à expansão do comércio com o país africano. Além da demanda por alimentos e insumos para produção pecuária, a efetivação das exportações depende de fatores como logística, segurança nas rotas comerciais e capacidade de pagamento dos importadores.
Exigências sanitárias permanecem
Apesar da autorização, os embarques deverão observar os requisitos sanitários e documentais aplicáveis a cada categoria de produto.
Conforme orientações do Mapa, as exportações de animais vivos e material de multiplicação animal podem exigir habilitação prévia, dependendo do certificado veterinário internacional acordado e das exigências do país importador.
Antes de realizar as operações, as empresas precisam verificar os modelos de certificados vigentes, as condições de habilitação e os procedimentos específicos de exportação.
A comunicação das autoridades sudanesas representa, portanto, a abertura sanitária para novos produtos, mas não significa que já existam contratos firmados ou embarques programados. Até o momento, as informações divulgadas não apresentam estimativas de volume, faturamento ou prazo para o início das operações comerciais.
Fonte: O Presente Rural