Edileusa passou boa parte da vida sem frequentar à escola. Impedida de estudar na infância e, mais tarde, pelo marido, ela encontrou no Programa Despertando, do Senar/MS, por meio do Sindicato Rural de Coxim, a oportunidade que tanto esperava. Aprendeu a ler e escrever, conquistou a certificação do ensino fundamental pelo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e descobriu que ainda pode realizar muitos outros sonhos.
“Agora eu sei mexer no meu próprio dinheiro. Eu vou no mercado, vejo os preços, leio o que eu quero, o que eu não quero”, conta. Hoje, Edileusa também vai ao banco para resolver suas próprias questões e acompanha a mãe em consultas médicas, ajudando até a conferir receitas e medicamentos. A próxima conquista que ela busca é a carteira de habilitação.
Nessa trajetória, o instrutoral Nildo teve papel importante ao apresentar à turma uma nova possibilidade de avançar nos estudos. Durante as aulas do Despertando, ele incentivou os alunos a fazer o exame que permite obter a certificação escolar. Edileusa foi uma das que mais se interessaram pela oportunidade e se dedicou à preparação. Para o professor, a determinação dela fez diferença durante todo o processo. “Ela é uma mulher determinada, guerreira, trabalhadora”, destaca. Segundo ele, a aluna era assídua e demonstrava muita vontade de aprender. Nildo acompanhou sua preparação, incentivou a seguir em frente e torceu por ela até a divulgação do resultado, quando Edileusa confirmou a conclusão do ensino fundamental.
Ao lembrar dessa caminhada, Edileusa resume o sentimento em gratidão. “Nossa, foi radiante, foi maravilhoso! Gratidão a Deus! Gratidão ao Senar. Ele acabou me despertando mesmo e eu quero mais, quero seguir em frente, porque agora estou despertada”, afirma. Para ela, o programa representou a chance de realizar um desejo antigo e perceber que a idade e as dificuldades enfrentadas não precisavam determinar até onde poderia chegar.
A história começou na zona rural de Coxim. Filha de trabalhadores rurais, Edileusa cresceu em uma família que dependia do trabalho de todos na roça. Sua mãe queria que os filhos estudassem e chegou a matriculá-los na pequena escola da fazenda, mas o pai não permitia que frequentassem as aulas. Sem condições de contratar funcionários para ajudar no campo, precisava dos filhos no trabalho. Assim, o desejo de aprender ficou para depois. "O tempo foi passando e a gente cresceu sem conehcer nenhuma letra", relembra.
Já adulta e morando na cidade, ela acreditou que finalmente poderia realizar o sonho de estudar. Mas, depois de se casar muito jovem, encontrou outra barreira. O marido, ciumento e possessivo, não permitia que ela frequentasse a escola. Sem saber ler ou escrever, Ela também não tinha autonomia para lidar com o próprio dinheiro. A falta de escolaridade fez com que ela perdesse oportunidades de emprego e provocava tristeza e vergonha. Até que decidiu sair do relacionamento e buscar uma vida diferente. “Eu falei: agora eu tenho a oportunidade de estudar para mim, aprender, porque eu tinha vontade”, recorda. Foi uma vizinha, que já participava do Despertando, quem lhe apresentou o programa. Edileusa procurou informações, fez a matrícula e começou a estudar naquele mesmo dia.
Nas aulas, encontrou acolhimento e começou a transformar um sonho antigo em realidade. Com a alfabetização, ganhou autonomia para lidar com situações cotidianas. Depois, com o incentivo do instrutor Nildo, encarou o Encceja, contou com a ajuda da filha para fazer a inscrição e estudou para a prova. O resultado veio meses depois, com notas suficientes para concluir o ensino fundamental. Uma conquista que ampliou suas possibilidades e fortaleceu sua vontade de continuar aprendendo. "Minhas notas foram ótimas, veio o diploma e continuei estudando. Hoje até leio minha bíblia, que era meu sonho. Estou realizada e vou continuar sempre aprendendo mais e mais".
Agora, Edileusa quer fazer um curso de informática, continuar os estudos e realizar o sonho de se tornar professora. Também está se preparando para tirar a carteira de habilitação, uma etapa que representa ainda mais independência. E ela espera que sua história incentive outras pessoas que ainda não sabem ler a buscar uma oportunidade. “A gente pode ter a idade que for, sempre há tempo”, aconselha. Depois de uma vida em que tantas escolhas foram adiadas, ela aprendeu a ler, conquistou o direito de sonhar com novos caminhos e passou a escrever a própria história. Desta vez, ninguém mais decide por ela até onde pode chegar.
Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul - Michael Franco e Adelino Vargas