Câmbio, eleições e embarques no Mar Negro influenciam os negócios agrícolas
Por Leonardo Gottems
O mercado internacional de commodities agrícolas acompanha os efeitos do câmbio, das eleições e das incertezas sobre o comércio de grãos. Segundo o Rabobank, o real abriu o dia 26 de outubro com desvalorização superior a 8% frente ao dólar, movimento que pesou sobre as cotações de café, soja e açúcar.
A reação ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. O presidente reverteu uma desvantagem de mais de 2 milhões de votos para Flávio Bolsonaro na primeira etapa e terminou a disputa com vantagem superior a 4 milhões. No curto prazo, a escolha dos ministros e os anúncios sobre os planos fiscais deverão influenciar os investidores. Mais adiante, a relação entre Brasil e Estados Unidos pode ganhar relevância, diante dos atritos entre Lula e Donald Trump.
Nos Estados Unidos, as eleições legislativas estão marcadas para 3 de novembro, com os mercados de previsão favorecendo uma vitória democrata nas duas casas do Congresso. Para o setor agrícola, porém, o petróleo pode ser o principal canal de exposição aos desdobramentos geopolíticos nas próximas semanas. Trump sinalizou a possibilidade de intensificar as hostilidades contra o Irã após a votação.
O trigo também recuou diante da notícia de que a Rússia considera propostas para retomar os embarques de grãos pelo Mar Negro, divulgada pela Interfax. Mesmo com ataques contínuos e exportações fracas na região, os contratos de trigo para moagem com vencimento em dezembro de 2026, na bolsa Matif, acumularam queda semanal de 7%, a 227 euros por tonelada, até 26 de outubro. A demanda enfraquecida nos mercados de destino também contribuiu para a pressão sobre os preços.