No RS, a soja FOB em Tupanciretã encerrou a segunda-feira a R$ 145,98 por saca
Por Aline Merladete
A valorização da soja no mercado físico brasileiro não foi acompanhada por uma retomada das negociações nesta segunda-feira (26). Em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, a cotação avançou mais de R$ 7 por saca em relação à sexta-feira (23), enquanto outras regiões produtoras também registraram altas. Segundo análise feita pela Grão Direto, o dólar na faixa de R$ 5,30 favoreceu os preços no interior do país, mas a comercialização permaneceu restrita em grande parte das praças acompanhadas.
A Grainsights, a inteligência de mercado da Grão Direto, identificou diferenças no repasse da variação cambial entre as regiões. A paridade da soja no interior apresentou mudança superior a R$ 9 por saca em relação à referência de sexta-feira. Nas localidades com melhores condições de escoamento para exportação, o ajuste ocorreu de forma mais rápida. Já nas regiões mais afastadas dos corredores logísticos, o repasse foi parcial, com compressão do basis.
No Rio Grande do Sul, a soja FOB em Tupanciretã encerrou a segunda-feira a R$ 145,98 por saca, para novembro de 2026, alta de R$ 2,05 na comparação com sexta-feira. O basis ficou em -R$ 3,44 por saca. Apesar da valorização, as negociações foram pontuais, em um cenário de cautela dos produtores diante das oscilações cambiais. O excesso de umidade no campo também continua atrasando o início do plantio da nova safra na região.
Nos portos, as cotações acompanharam o movimento de alta, com desempenho diferente entre Santos e Rio Grande. Em Santos, a soja FOB fechou a R$ 161,99 por saca, avanço de R$ 0,47 sobre sexta-feira e ganho de R$ 5,74 na comparação semanal apresentada pelo levantamento. Em Rio Grande, o preço alcançou R$ 161,05 por saca, com valorização diária de R$ 1,58 e semanal de R$ 4,45. Com isso, a diferença entre os dois portos ficou em R$ 0,94 por saca, favorável a Santos, embora Rio Grande tenha registrado a maior alta no dia.
A elevação dos preços, entretanto, não se refletiu de maneira uniforme na atividade comercial. O monitoramento da Grainsights apontou movimentação moderada em Rondônia, enquanto Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentaram negociações reduzidas. O comportamento contrasta com a semana anterior, que registrou o maior volume de originação de outubro, concentrado principalmente na quinta e na sexta-feira.
A redução do ritmo de negócios ocorreu mesmo com a sustentação dos preços pelo câmbio. Na Bolsa de Chicago, a soja havia encerrado a segunda-feira com queda superior a 1%, enquanto o mercado físico brasileiro registrou valorizações em diferentes regiões. A diferença entre os movimentos evidencia o peso da variação cambial nas cotações domésticas observadas no período.
Para esta terça-feira (27), a Grainsights destaca o comportamento do dólar como um dos principais pontos de atenção do mercado. Além do câmbio, a análise acompanha a reação das cotações em Chicago, o avanço do plantio em Mato Grosso e as condições de umidade no Sul do país. Com o encerramento de outubro se aproximando, o mercado observa se a valorização recente dos preços será acompanhada por maior participação dos produtores nas negociações.
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