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17-07-2026

Safra de soja 2026/27 pode superar 180 milhões de toneladas

O Brasil deverá ampliar novamente a área cultivada com soja na safra 2026/27, consolidando sua posição como maior produtor e exportador mundial da oleaginosa. No entanto, o avanço da produção dependerá diretamente das condições climáticas ao longo do ciclo, já que a possibilidade de um evento de El Niño durante a temporada preocupa analistas e produtores.

A avaliação é da Safras & Mercado, que projeta crescimento da área plantada e uma produção superior à da safra anterior, mas alerta que o clima e os custos de produção continuarão sendo os principais fatores de risco para o desempenho das lavouras.

Área de soja deve crescer impulsionada pelo Centro-Oeste

Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a intenção de plantio indica expansão da cultura principalmente nos estados do Centro-Oeste, região responsável pela maior parte da produção nacional.

A consultoria estima que a área cultivada com soja alcance 49,107 milhões de hectares, crescimento de aproximadamente 1,2% em relação à temporada anterior.

O destaque continua sendo Mato Grosso, maior produtor brasileiro da oleaginosa, onde a expectativa é de aumento próximo de 1,5% na área plantada.

Goiás também deve registrar expansão, embora os produtores enfrentem um cenário financeiro mais apertado em comparação com outras regiões.

Margens menores, mas atividade continua viável

Mesmo diante da redução das margens de lucro observada nos últimos anos, a elevada produtividade obtida nas safras recentes melhorou a relação entre custos e receitas em diversas regiões produtoras.

Esse desempenho permite que a produção de soja permaneça economicamente sustentável, ainda que com rentabilidade inferior à registrada em ciclos anteriores.

Segundo a Safras & Mercado, o bom desempenho agronômico das últimas temporadas tem incentivado novos investimentos em expansão de área, especialmente em propriedades já consolidadas.

El Niño aumenta preocupação para a próxima safra

O principal fator de atenção para a temporada 2026/27 é o comportamento do clima.

A possibilidade de um El Niño mais intenso durante os meses críticos de desenvolvimento da soja pode comprometer o potencial produtivo em importantes regiões agrícolas do país.

Caso o fenômeno climático se confirme com maior intensidade, os impactos poderão ocorrer justamente nos períodos de florescimento e enchimento de grãos, fases decisivas para a definição da produtividade das lavouras.

Apesar desse risco, a Safras & Mercado ressalta que não incorpora perdas climáticas antecipadamente em suas estimativas, revisando os números apenas quando existem evidências concretas de danos no campo.

Ainda assim, a consultoria já trabalha com expectativa de produtividades ligeiramente inferiores às registradas na safra anterior para boa parte das regiões produtoras.

Fertilizantes caros podem reduzir investimentos nas lavouras

Além das incertezas climáticas, o elevado custo de produção continua sendo um desafio para o produtor brasileiro.

A valorização dos fertilizantes observada ao longo do primeiro semestre aumentou os custos da próxima safra e poderá levar parte dos agricultores a reduzir investimentos em tecnologia, nutrição das plantas e manejo.

Essa estratégia, embora contribua para reduzir despesas, pode limitar o potencial produtivo das lavouras caso as condições climáticas também não sejam favoráveis.

Produção brasileira pode ultrapassar 180 milhões de toneladas

Mesmo diante desse cenário de cautela, a Safras & Mercado projeta uma nova safra recorde para o Brasil.

A produção nacional de soja está estimada em 180,089 milhões de toneladas, volume superior às 178,3 milhões de toneladas previstas para a safra 2025/26.

A produtividade média nacional deverá atingir 3.686 quilos por hectare, equivalente a 61,43 sacas por hectare, praticamente estável em relação ao ciclo anterior, quando foram registrados 3.692 quilos por hectare, ou 61,54 sacas por hectare.

Mercado acompanha clima, câmbio e demanda internacional

Além das condições climáticas, o desempenho da soja brasileira continuará sendo influenciado pelo comportamento do dólar, pela demanda chinesa, pelo ritmo das exportações e pelas oscilações da Bolsa de Chicago.

Com o início do planejamento da safra 2026/27, produtores acompanham atentamente os custos dos insumos, as perspectivas para o mercado internacional e os primeiros indicativos climáticos, fatores que deverão definir a rentabilidade da próxima temporada.

Se as condições meteorológicas permanecerem favoráveis, o Brasil poderá consolidar mais um recorde de produção e fortalecer sua liderança global no mercado de soja. Entretanto, um eventual El Niño mais intenso mantém o setor em estado de alerta, especialmente quanto ao impacto sobre a produtividade das lavouras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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