O mercado vinha trabalhando com a possibilidade de alguma novidade
Agrolink - Leonardo Gottems
A possibilidade de a China manter estáveis as compras de soja dos Estados Unidos pressionou os grãos na Bolsa de Chicago, em um movimento de ajuste nas expectativas do mercado. Segundo Alê Delara, especialista em agronegócio e commodities, a avaliação ganhou força após Scott Bessent reduzir as expectativas de ampliação dos acordos comerciais entre chineses e norte-americanos.
O mercado vinha trabalhando com a possibilidade de alguma novidade em uma reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, especialmente em relação a novos compromissos de compra por parte de Pequim. No entanto, a indicação de que os volumes já assumidos seriam suficientes para garantir demanda à soja norte-americana pelos próximos três anos enfraqueceu essa leitura.
Com isso, a soja passou a operar em forte baixa, refletindo a percepção de que a China não deve elevar as aquisições além do que já foi combinado. Para os contratos negociados em Chicago, o efeito é negativo, já que parte do suporte recente vinha justamente da expectativa de um avanço comercial capaz de ampliar a demanda pelo produto dos Estados Unidos.
A presença do Brasil como fornecedor competitivo também pesa sobre esse cenário. Com a demanda chinesa mais estável e a oferta brasileira ainda atrativa, os grãos perdem sustentação na bolsa norte-americana. O mercado passa a precificar um ambiente de menor impulso para as exportações dos Estados Unidos, o que reduz o espaço para recuperação dos preços.
O dado mais recente do USDA reforçou a pressão. O órgão reportou vendas de apenas 102 mil toneladas de soja, queda de 28% em relação à semana anterior e volume 60% abaixo da média das últimas quatro divulgações. O número alimentou a cautela dos operadores e contribuiu para o recuo dos grãos em Chicago.