Entre os pontos de atenção está o comportamento climático
Agrolink - Leonardo Gottems
O mercado mundial de arroz atravessa um momento de aparente equilíbrio no curto prazo, com oferta disponível e estoques ainda elevados, mas o cenário começa a exigir mais atenção para os próximos meses. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, a partir dos dados mais recentes do USDA sobre o setor.
Segundo a análise, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostra hoje um mercado confortável, sem grandes problemas imediatos de abastecimento. No entanto, esse quadro pode esconder riscos que começam a ganhar força nos bastidores e que têm potencial para alterar rapidamente o equilíbrio global do arroz.
Entre os pontos de atenção estão o comportamento climático, com El Niño no radar, os custos elevados de combustíveis, a pressão sobre fertilizantes em diversas regiões produtoras e um ambiente de crédito mais caro e mais difícil para financiar a próxima safra. Esse conjunto de fatores pode levar produtores a reduzir investimentos, diminuir o uso de tecnologia e desacelerar a expansão produtiva em diferentes países.
No Mercosul e, em especial, no Rio Grande do Sul, o mercado segue pressionado no curto prazo pela oferta atual. Ainda assim, os fundamentos futuros começam a sinalizar necessidade de cautela. A leitura é de que, no arroz, as mudanças mais fortes de mercado costumam ocorrer justamente quando a percepção geral é de ausência de riscos relevantes no horizonte.
Nesse contexto, a exportação deve continuar exercendo papel fundamental para o equilíbrio do setor brasileiro. Mesmo com um ambiente momentaneamente confortável, a combinação de custos, clima, crédito e decisões de plantio pode influenciar a dinâmica de oferta nos próximos ciclos e mudar a percepção do mercado sobre segurança de abastecimento.